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Num contexto de convergência Ibérica nas estratégias transfronteiriças e keynesianas para reactivar a economia, começa a romper-se o tabú existente em relação a linha férrea de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Os sinais favoráveis e explícitos são vários: o plano Costa Silva (assessor do governo luso), as conclusões do Fórum Parlamentar Luso-Espanhol e, agora, as declarações proferidas ao diário Hoy pelo embaixador de Portugal em Espanha, João Mira Gomes.

Para além de se apostar num “cartão de saúde e social” e num “serviço de emergência médica 112”, em ambos os lados da Raia, desde Portugal sublinha-se o interesse em “concretizar projectos comuns de infraestruturas, como é o eixo ferroviário entre Sines e Madrid, que tem uma parte pendente entre Évora e o Caia. Primeiro mercadorias e depois passageiros. Trata-se de um comboio de alta prestação, não um TGV, mas sim de alta velocidade”, afirmou Mira Gomes.

O projecto a que se refere o embaixador tem a ver com as linhas de bitola polivalente que, com uma pequena modificação, podem fazer com que a bitola ibérica seja reduzida à bitola europeia, que é a utilizada pelas linhas AVE (TGV). Embora o embaixador não afirme que se trata de uma linha AVE (TGV), tratam-se de obras “escalonáveis”, segundo António García Salas.

Questionado sobre a opção de Vilar Formoso-Fuentes de Oñoro face à opção da Estremadura, o embaixador português afirmou: “O que temos firme é que a ligação para bens de alto desempenho passa por Évora e Caia e depois Cáceres, Plasencia e Talavera , embora o lado espanhol não esteja acabado. É uma prioridade devido ao porto de Sines. E, depois, se houver rota de mercadorias, já é mais fácil fazer o mesmo com passageiros. Mas temos outras opções que não são exclusivas e se complementam com a opção de Salamanca, de chegar à fronteira com França. Fazermos um não significa que não fazemos os outros”.

Da mesma forma, o embaixador João Mira Gomes afirma que estão a estudar “diferentes áreas no âmbito do programa de recuperação pós-covid com investimentos em infraestruturas. A estratégia de desenvolvimento transfronteiriço é importante porque dá a oportunidade de articular programas de recuperação para apresentar planos conjuntos a Bruxelas. Haverá acções em energia, meio ambiente, turismo e na agenda digital. E a zona da Raia, tal como o interior de Espanha e Portugal, e de toda a península, estão no centro e são importantes para muitos projectos, como a plataforma logística”.

Por outro lado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, receberá a seu homóloga espanhola, Arancha González Laya, em Lisboa na sexta-feira, dia 18 de Setembro. Na agenda do encontro estará a Cimeira Ibérica, no dia 2 de Outubro. Algumas fontes diplomáticas afirmam que está sendo negociado um segundo dia da Cimeira: 3 de Outubro. Decisão que ainda não foi acordada ou declarada publicamente.