06/04/2025

Alta tensão em Moçambique após as eleições já levou a uma reação oficial de Portugal e de Espanha

Eleições contestadas e repressão de manifestações marcam a atual situação política em Moçambique

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Quando o escritor moçambicano Mia Couto pediu um novo futuro para Moçambique, não estava à espera do que ia acontecer. Depois das eleições, e antes de ser publicado o vencedor, a situação em Moçambique continua conturbada.

O governo português, através do ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Rangel, que se encontra em Madrid, pede contenção a todos os envolvidos e demonstra a sua preocupação pelos últimos desenvolvimentos que levaram a mortes, manifestações reprimidas e os jornalistas impedidos de fazer o seu trabalho com calma. «Estamos a seguir a passo e passo, com grande preocupação», disse Paulo Rangel. Portugal e Espanha «lamentam os assassínios ocorridos no passado fim de semana no contexto pós-eleitoral em Maputo» e esperam que «a justiça moçambicana atue com rapidez e eficácia». Os dois governos ibéricos renunciam a qualquer forma de violência.

Pede-se regularidade e estabilidade para que o processo eleitoral possa ser concluído com sucesso. Segundo o presidente da Guiné-Bissau (um dos países da CPLP que conta com mais eleições desde 1975), o verdadeiro desafio começa depois das eleições e não no momento de escolha. José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República de Portugal, também condenou com «veemência» tudo o que está a acontecer em Moçambique. Marcelo Rebelo de Sousa também se juntou a onda de preocupação expressa por várias personalidades.

Quem também falou sobre a situação de Moçambique foi o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que condenou veementemente o duplo homicídio e apelou a uma rápida investigação. Para além dos vários conflitos que estão a acontecer um pouco por todo o mundo, Guterres tem os seus olhos postos na COP que arranca na Colômbia e terá uma forte comitiva brasileira.

Moçambique foi a eleições para escolher um novo presidente, já que o atual não se pode recandidatar, no dia 9 de Outubro mas mesmo ainda não se conhecendo o vencedor muitos dos candidatos apontam irregularidades e um dos participantes da oposição, Venâncio Mondlane (filho de um antigo governador de Moçambique), marcou uma manifestação nacional após o assassinato de dois membros da sua comitiva. O político (do partido Podemos) aponta como responsáveis, os membros das forças de segurança ligadas ao partido do governo.

Esta manifestação, que contou com pneus queimados, foi dispersada pela polícia atraves de gás lacrimogéneo. No local estava o político e um conjunto de jornalistas, moçambicanos e portugueses.

Muitos acreditam que Daniel Chapo (o candidato da Frelimo ganhou em Maputo) poderá ser o próximo presidente de Moçambique, apesar de Mondlane ter ganho na Beira, região onde fica Cabo Delgado. Esta é uma zona crítica não só por ter grandes riquezas naturais mas muito devido aos problemas que enfrentam com o terrorismo, o que faz com que haja um dispositivo militar europeu presente. Venâncio Mondlane reivindica vitória nas eleições. Para além do presidente, os moçambicanos também escolheram os novos membros das assembleias e governos provinciais. Ainda não se conhecem os resultados oficiais mas os mesmos começaram a ser contestados logo desde o primeiro dia após as eleições de 9 de Outubro.