03/04/2025

«Por mares nunca antes navegados», é sempre possível atravessar

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«Por mares nunca antes navegados», já cantava desta forma Camões nos ‘Lusiadas’ para lembrar que por mais difícil que seja é possível. Este princípio pode ser adotado em vários aspetos da nossa vida, incluindo no desporto. Um aspecto pequeno, verdade, mas presente na vida de muitos já que é algo que apaixona tanto portugueses como espanhóis, que vestem com orgulho as cores dos seus clubes e dos seus países. Aqui vemos o nacionalismo de cada um. Nem que seja um nacionalismo de cabeceira.

Foi com este verso que os «Heróis do mar», nome que a seleção portuguesa de andebol adotou (nome bonito mas não muito coerente para um desporto que é praticado num pavilhão), foram recebidos após terem conseguido o quarto lugar no Mundial. Onde os portugueses jogaram com brasileiros e espanhóis. Jogos sempre com uma grande carga emocional.

Esta é a melhor classificação de sempre conseguida pela seleção portuguesa de andebol que em 2028 vai receber ao lado da Espanha e da Suiça, o próximo Euro desta modalidade. Em 2030, o território ibérico vai organizar outra competição, mas ainda não é o momento de focarmos nela. Haverá um espaço e tempo certos. Mas voltando ao andebol, os jogadores pediram, ainda no aeroporto, que não se esquecessem deles. Algo que os atletas olímpicos pedem sempre e nunca o fazemos. A verdade é que esta modalidade nunca chegou aos picos de popularidade de outros desportos, como é o caso do hóquei em patins ou o futsal, mas durante o Mundial os jogos chegaram a ter um pico de mais de 1 milhão de espectadores. Algo que costumamos ter apenas quando se joga a seleção de futebol ou existe algum episódio de impacto de uma novela (algo que tem perdido audiência com o streaming).

Este sucesso pode e deve criar as bases para o que veremos no Euro que esta modalidade vai ter um território ibérico mas também para o desenvolvimento de uma saudável cultura desportiva pois esta traz inúmeros ganhos, incluindo financeiros ou de crescimento pessoal.

Um exemplo de superação, em todos os aspectos, é Cristiano Ronaldo, que já fez 40 anos. No seu aniversário recebeu os parabéns desde o Sporting ou Real de Madrid até a Presidência da República ou o PM, Luís Montenegro. Todos sabem quem é Ronaldo, a pessoa mais seguida nas redes sociais e com uma marca avaliada em 850 milhões de euros e com investimentos em várias empresas, desde a comunicação social até a Vista Alegre. Marca de loiça presente tanto em Espanha como na Arábia Saudita.

O seu percurso tem sido elogiado por todos e acredito que é um exemplo. Mesmo que não se goste de futebol ou não se queira entrar na discussão de quem é o melhor jogador do mundo. Todos temos a nossa opinião, como é óbvio. Acredito que muitos de nós se lembram dos inícios do jogador que saiu da Madeira para o mundo e que ao longo dos anos tem demonstrado uma grande «fome de vencer» (slogan usado pela própria equipa das quinas).

Nas últimas duas décadas, o seu nome é sinônimo de ser português. No mundo, os portugueses já são recolhidos por Ronaldo. Tal como os brasileiros com o Pelé ou o Neymar (que entretanto voltou para o Santos). A ligação de Cristiano Ronaldo a Espanha não é só familiar, já que está junto com uma espanhola (Gio Rodríguez), mas também de negócios. Estes são muito variados e vão desde clínicas a hotéis. Com o grupo Pestana tem um no centro de Madrid, onde jogou muitos anos de blanco. Mais do que uma figura portuguesa, podemos afirmar que Cristiano Ronaldo é uma figura ibérica.

Da seleção de andebol a Ronaldo, estes tem nos ensinado que nada é impossível, basta lutar e acreditar. O espírito que tivemos para sair para as Descobertas e que continuamos a ter em pleno século XXI.

Para terminar este artigo, deixo como sugestão que leiam ou releiam ‘Os Lusíadas’, pois acredito que pode inspirar muitos de vós e estamos a celebrar os cinco séculos do poeta maior da língua portuguesa, Camões. Logo tudo está ligado e é possível sempre passar por qualquer Cabo das Tormentas.

 

Andreia Rodrigues