«Filipe I de Portugal – O Rei Maldito», o livro que dá a conhecer a origem de uma dinastia

Isabel Stilwell lançou uma nova luz sobre o rei espanhol, filho de uma portuguesa, que acabou por unir as duas coroas

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Isabel Stilwell, a autora mais vendida em Portugal no segmento de romances históricos, apresentou, na igreja de São Vicente de Fora (mesmo ao lado do mosteiro com o mesmo nome), o seu mais recente livro. Em Filipe I de Portugal – O Rei Maldito, a autora (que já tinha escrito sobre o avô português deste monarca ibérico, D. Manuel I) lançou um novo olhar sobre esta figura que começou um domínio de mais de 60 anos da coroa de Castela sobre a portuguesa, mas não conseguia esquecer os laços que o ligavam a parte mais ocidental do território peninsular.

Para além de ser filho da imperatriz D. Isabel (que chegou a assumir a regência do império), de ter sido criado por aias portuguesas, a sua primeira mulher foi uma portuguesa e ter amigos portugueses, o primeiro dos Filipes portugueses foi o homem “escolhido” para unir estas duas coroas. Um sonho pensado por muitos, na altura. Mesmo com um forte carinho por Portugal, algo que os outros membros desta dinastia não compartilhavam, Filipe foi alvo do primeiro cancelamento em território luso e por isso mesmo é conhecido como o rei maldito.

Este “maldito” foi o responsável pela construção deste mosteiro que tem murais em azulejo de todos os reis de Portugal, excetuando os da dinastia Filipina. Uma dinastia que nas aulas de história é apresentada como aquela que começou o declínio do império português, mas neste livro conhecemos uma nova faceta de um rei próximo das suas filhas e que enquanto esteve em Lisboa escreveu longas cartas aos filhos, que gostava que soubessem português.

Filipe I, o rei arquiteto que serviu de inspiração para o mais recente romance histórico em português

Passou mesmo dois anos e meio em Portugal. Filipe era um monarca tímido, muito devoto, mas com algumas paixões bastante vincadas, incluindo a arquitetura. Um rei que não conquistou Portugal a força, mas conseguiu este trono por ser o neto mais velho de D. Manuel I. Ao longo de quase 600 páginas, a autora abordou a luta que a infanta D. Catarina de Bragança (que acabou por dar origem á última dinastia que reinou) teve com o rei D. Filipe I de Portugal (II de Espanha) pela coroa “fundada” por D. Afonso Henriques.

Este livro é marcado por inúmeras intrigas e no primeiro capítulo podemos ver a relação de Filipe com Sebastião (muito parecido com o seu falecido filho). O encontro entre os dois reis aconteceu no Real Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, a apenas uma hora de Badajoz. O tio tentou demover o sobrinho da loucura de partir para África. Se um ficou conhecido como o Desejado, o outro ficou conhecido como o Maldito. Não por ser mau mas por ser mal falado, mal dito.

Mesmo sendo uma figura e um período que não é muito conhecido/querido pelos portugueses, estes estão a aceitar muito bem o livro de Isabel Stilwell. A escolha do local de apresentação deste livro, mandado reconstruir por D. Filipe, acaba por unir os dois monarcas. Muitos foram os presentes que aproveitaram esta ocasião para verem os seus livros assinados pela autora.

Se Afonso Henriques mandou erigir este local, foi D. Filipe que lhe deu a forma que (mesmo após o terramoto) manteve-se até a atualidade, com as suas duas torres e uma arquitetura que faz lembrar o Escorial. O responsável pelo engrandecimento deste edifício foi Juan de Herrera, um dos arquitetos do mosteiro de San Lorenzo do Escorial. Filipe I de Portugal – O Rei Maldito tem estado a ter uma grande aceitação pelo público e a poucos dias do seu lançamento já vai para a sua terceira edição.

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