04/01/2026

Candidatos encontraram-se num debate nas rádios onde nenhum deles levantou a possibilidade de desistirem antes das eleições

Debate nas rádios ficou marcado por momentos de tensão e Marcelo Rebelo de Sousa fez o seu último discurso como presidente da República

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Candidatos a presidente debatiendo en un escenario de radio

Os candidatos a presidente da República participaram num debate, emitido pelas rádios, onde falaram sobre qual é o papel do presidente. Marcelo Rebelo de Sousa fez o seu último discurso como presidente da República e garantiu que o «futuro será melhor». Também evocou Eça de Queirós para pedir um futuro com «melhor futuro do que passado». André Ventura, António Filipe e Catarina Martins consideraram que na última mensagem, Marcelo não falou de problemas que afetam os portugueses, como é o caso da saúde ou da habitação. O PS vai pedir um debate extraordinário sobre a situação do controlo de fronteiras. As filas nos aeroportos fizeram manchetes no período festivo.

É um país que se vai adiando. As eleições vão acontecer no dia 18 de Janeiro. O debate teve duas horas de duração, vários momentos de tensão, e todos os candidatos garantiram que não iam desistir. Ventura levantou que a única possibilidade de Seguro passar a uma segunda volta, que acontecerá um mês depois das eleições, só poderia ser possível se os outros candidatos de esquerda desistissem. José Luís Carneiro, líder do PS, já tinha levantado esta possibilidade. O antigo presidente da AR, Eduardo Ferro Rodrigues, já demonstrou o seu apoio a Seguro e acredita que «a democracia está sob ameaça».

Também disseram que nenhum deles faz parte da maçonaria, apesar de Henrique Gouveia e Melo ter tido algum apoio de membros da maçonaria portuguesa. O candidato do Livre, Jorge Pinto, afirmou ser favorável a eutanásia. Este candidato pretende passar por 15 dos distritos do Portugal continental. Todos os candidatos a presidente da República recusam um único mandato de apenas 5 anos. Os candidatos a presidente vão gastar cinco milhões de euros nesta campanha e Mendes, Seguro e Melo têm os maiores orçamentos. Os três primeiros classificados terão um apoio estatal para pagarem as suas candidaturas.

Um debate com todos nas rádios 

No debate, que envolveu todos os candidatos, houve una divisão na possibilidade do envio de tropas de manutenção de paz para a Ucrânia. Possibilidade que Luís Montenegro levantou depois da visita a Kiev. Algo em que os candidatos concordaram era que não iriam dissolver o parlamento, pelo menos não imediatamente, caso o Orçamento fosse chumbado. Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos presidentes que mais usou esta capacidade de dissolver o parlamento e marcar eleições. Esta capacidade é descrita na política portuguesa como a «bomba nuclear».

Sobre os diferentes casos polémicos que marcaram a campanha, que foram desde os cartazes de Ventura aos ganhos económicos de Marques Mendes ou Gouveia e Melo, o candidato apoiado pelo PSD considera que esta «devassa degrada a democracia». Caso seja eleito, Henrique Gouveia e Melo já admitiu que irá viver no Palácio de Belém. Já Seguro pretende levar um cão para a residência, tal como há no número 10 de Downing Street (lá o animal de estimação é um gato).

Para muitos votantes, o discurso a envolver a Justiça acaba por beneficiar André Ventura e Luís Marques Mendes é muito «colado» ao governo . Sobre a atual situação política em Portugal, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, lamenta a «desconfiança permanente».