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As negociações entre a Abanca e o Eurobic decorriam desde o início de 2020, mas o banco espanhol está prestes a desistir de comprar o banco de Isabel dos Santos, por desentendimentos quanto ao valor do negócio.

As negociações entre o Abanca e os acionistas do EuroBic, Isabel dos Santos e Fernando Teles, estavam em curso desde fevereiro, na sequência do “Luanda Leaks” e da pressão do Banco de Portugal, e já havia um acordo de princípio, mas nas duas últimas semanas as negociações entraram num impasse e agora o Abanca vai mesmo anunciar a desistência da operação, avançou o jornal ECO.

O acordo para a compra de 95% do EuroBic foi anunciado em fevereiro e estava “sujeito, como acontece neste tipo de operações, a um processo de due dilligence e às autorizações das autoridades regulatórias”.

O resultado da “due diligence” (investigação de riscos) desenvolvida nas últimas semanas, os efeitos da Covid-19  e até a “reputação” dos acionistas na sequência da investigação “Luand Leaks”, estarão na base das divergências.

A proposta inicial rondaria os 240 milhões de euros, mas Juan Carlos Escotet, chairman do Abanca, já tinha admitido rever em baixa a proposta final em função dos resultados da auditoria que estava em curso. Considerando toda a situação, o Abanca terá, então, apresentado uma proposta inferior.

Até agora não houve qualquer comentário por parte do Abanca ou do Eurobic, mas segundo o jornal o banco espanhol terá dado um prazo até segunda-feira ao final do dia para os acionistas do EuroBic responderem a uma proposta final, o que não aconteceu.

Recorde-se que Isabel dos Santos e Fernando Teles controlam 90 por cento do banco, mas na sequência de um arresto preventivo no âmbito do “Luanda Leaks”, a filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, perdeu os seus direitos de voto no banco. O negócio com o Abanca surgiu depois de a empresária angolana ter decidido colocar à venda os 42,5 por cento detidos no capital do EuroBic.

Além da venda da participação de Isabel dos Santos, estava também em negociaçãp a alienação dos 37,5 por cento detidos por Fernando Teles.

De facto, escândalo do “Luanda Leaks”, revelado em janeiro, deu origem a uma fuga de depósitos de mais de 600 milhões de euros do EuroBic e afetaram a reputação do banco e a confiança dos depositantes. No entanto, com o anúncio de um possível negócio com o espanhol Abanca, a situação do banco português aparentava estar mais estabilizada.