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O português Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, em entrevista concedida a vários órgãos de comunicação social europeus, por videoconferência do seu despacho em Lisboa, avança o pacote de ações e explica que está a trabalhar “três redes de segurança: para a dívida soberana, para as empresas e para os trabalhadores. Deve ser um plano tão abrangente quanto possível para todos os sectores da nossa economia. Estamos a trabalhar numa linha de crédito aberta a todos os países até 240 mil milhões de euros. Vai ser uma nova linha de defesa. Em segundo lugar, temos uma proposta do Banco Europeu de Investimento (BEI) com uma garantia pan-europeia de até 200 mil milhões de euros. Os pormenores não estão concluídos, mas serão para a UE e, em especial, para as pequenas e médias empresas. Além disso, a Comissão apresentou na quinta-feira a medida de 100 mil milhões de euros para criar uma rede de segurança para os sistemas de proteção do emprego. Estas três medidas representam uma malha protetora de cerca de meio bilião de euros”.

Na discussão sobre as Eurobonds, esta possibilidade parece estar excluída e procura-se criatividade. Em cima da mesa está a proposta da França: “um fundo temporário que complementaria o Quadro Financeiro Plurianual. O fundo emitiria obrigações com garantias conjuntas dos Estados-Membros. Não se trata das Eurobonds, trata-se de um ponto intermédio”, diz Centeno.

O alto cargo português quis destacar uma mensagem política clara afirmando que “como líder do Eurogrupo: temos de ser o nosso próprio Plano Marshall”.

Outra questão-chave é o nível da dívida soberana dos Estados, onde Espanha com 96% e Portugal com 120% acima do PIB, têm uma margem baixa. A este respeito, assume-se que estamos perante uma situação muito complicada, “vamos sair desta crise com um nível de endividamento muito mais elevado”, reconheceu.