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Em Abril, a programação do cinema Doré vai mergulhar na cinematografia portuguesa com um conjunto de títulos restaurados pela Cinemateca portuguesa nas últimas décadas.

O programa, mais extenso e acompanhado de mais uma série de eventos, tinha sido pensado no âmbito da programação do mês de Outubro, o mês do arquivo da Cinemateca Espanhola e onde Portugal seria o país convidado. As condições sanitárias impediram que tal não acontecesse e agora temos este novo formato no cinema Doré e onde o público vai poder desfrutar em todos os sentidos das obras de um dos arquivos cinematográficos mais próximos da Cinemateca Espanhola.

É um programa ecléctico, composto por um total de onze filmes multi-palco e restaurações em analógico e digital, que traça toda a história do cinema português do século passado. O roteiro começa no mudo com “O Táxi 9297”, thriller baseado num acontecimento real de uma crónica negra portuguesa: o assassinato da actriz María Alves. A partir daí, passamos à abordagem portuguesa do formato das sinfonias urbanas, tão popular no início do século XX.

A representação do som no ciclo coincide com a chegada da ditadura de António de Oliveira Salazar, que permaneceu no poder de 1932 a 1968. É precisamente uma peça-chave da propaganda de Salazar, “A Revolução de Maio” pode ser vista no Doré. Também da época da ditadura, mas com um espírito radicalmente diferente, são os filmes “As Ilhas Encantadas”, de Carlos Vilardebó, e “O Pão”, de Manoel de Oliveira, que vem numa versão inédita há décadas.

Finalmente, o ciclo alcança os anos 80 com os títulos de João César Monteiro, António Reis e Margarida Cordeiro, Joaquim Pinto, Manuela Serra e Alberto Seixas Santos, que exploram um novo Portugal mas também apresentam as feridas de um velho país marcado pela ditadura.