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O embaixador de Portugal Francisco Ribeiro de Menezes terminou esta sexta-feira o seu mandato de mais de cinco anos em Madrid persuadido que Espanha atualmente “escuta muito mais” e tem um “maior interesse” por Portugal.

“Hoje, aqui, eu sinto que o conjunto da sociedade espanhola, incluindo o universo político, é muito mais sensível ao que se passa em Portugal e sente que o que se passa em Portugal tem também consequências em Espanha”, disse Ribeiro de Menezes em entrevista à agência Lusa.

Para o diplomata, Espanha sempre foi muito influenciada pelos acontecimentos em Portugal, embora não tivesse essa “perceção”, tendo dado como exemplos a revolução de 1974 que precedeu a “transição democrática” espanhola e a “opção europeia” portuguesa que também precedeu a do país vizinho.

“Ao fim de cinco anos […] a imagem e o conhecimento de Portugal em Espanha melhoraram significativamente”, afirmou Francisco Ribeiro de Menezes. Em Madrid desde novembro de 2014, o diplomata leva, “sobretudo, a satisfação de ver que a imagem de Portugal em Espanha mudou ou, pelo menos, evoluiu muito”.

A embaixada teve nos últimos anos uma “ação muito intensa” na divulgação da Cultura portuguesa, principalmente no âmbito da mostra das Artes que organiza anualmente em várias regiões espanholas, com, por exemplo, o país a ser o convidado principal em várias feiras do livro, como a de Madrid, ou a realização de inúmera exposições, como a de Fernando Pessoa no Museu Rainha Sofia.

Uma referência também para a continuação das assinaturas de memorandos de entendimento para o ensino da língua portuguesa com todas as comunidades autónomas que fazem fronteira com Portugal. Na área económica, o aumento das relações comerciais também tem sido uma constante, tendo 2019 fechado com uma taxa de cobertura das exportações portuguesas às importações de Espanha de 70%, quando há 17 anos essa taxa era de 40%.

Francisco Ribeiro de Menezes lamenta “não ter tido tempo” para viajar mais por Espanha para “levar a mensagem e informações sobre Portugal a mais regiões” espanholas. Por outro lado, considera que os dois países “podiam ter avançado mais em vários dossiers”, mas isso não foi possível, porque acabou por se “sobrepor a situação de intermitência política em que Espanha viveu e se viu mergulhada desde que o PP [Partido Popular, direita] perdeu a maioria absoluta nas eleições de dezembro de 2015”.

“E agora estamos perante uma nova etapa que fica para o meu sucessor”, disse Ribeiro de Menezes referindo-se ao também embaixador João Mira Gomes que chega de Berlim, cidade para onde o primeiro vai agora, iniciando os dois um novo mandato no sábado, 01 de fevereiro.