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O deputado socialista por Salamanca, Juan Luis Cepa, reclamou da Junta de Castela e Leão “mais acção e menos reuniões” para que se possa revitalizar a cooperação transfronteiriça com Portugal e, desta forma, amenizar a situação dos municípios da Raia que vêm sofrendo “um abandono do Governo e da Comunidade por conseguinte da despopulação que estão a sentir”.

“A fronteira está ai, existe e apesar dos laços económicos, sociais, familiares e de amizade, os obstáculos administrativos e os poderes não estão à altura”, disse o Cepa durante plenário realizado nos tribunais regionais.

“As nossas preocupações e encontros pouco melhoraram, apesar dos programas do Interreg e dos fundos europeus investidos”, contou Cepa, que sublinhou que os municípios da Raia vivem uma “triste atonia” e até “regrediram”. Ele também criticou que a única acção é a “simples arrecadação de fundos” e que esta tendência tem causado o despovoamento.

Na verdade, argumentou que nas últimas décadas existem regiões que perderam entre 40 e 60% da população, alguns dos locais mais importantes (Ciudad Rodrigo, San Felices, Lumbrales, Vitigudino , Fermoselle e La Puebla de Sanabria) tiveram uma perda demográfica entre os 22 e os 50%. Por exemplo, a região de Ciudad Rodrigo perdeu mais de 2% da sua população anualmente, sublinhou Cepa.

Por outro lado, criticou que a acção da Directoria não deveria actuar apenas nas cidades mas também no meio rural e, sobretudo, nos municípios da periferia.

Também alertou que em 2016 os diferentes ministérios foram solicitados a transferir o Grupo Socialista sobre as acções ou medidas em termos de cooperação. Excepção para os projectos financiados, principalmente pelo Interreg, mas não houve cooperação entre Castela e Leão e as regiões centro e norte de Portugal. “E assim vamos enfraquecendo a cooperação transfronteiriça, desde a crise de 2008 e principalmente a partir de 2012 com as políticas de austeridade dos governos do PP, até hoje”, lamentou.

“Agravou-se nos últimos tempos, especialmente devido a despopulação e a ausência de serviços-chave, como é o caso dos sanitários, e que reclamam uma maior presença dos poderes e acções públicas”, reforçou.