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Falar de Lídia Jorge é falar da autora mais valiosa das letras portuguesas da atualidade. Com uma importante obra literária de qualidade, é igualmente uma mulher de grande valia humana e intelectual. Por isso, a revista cultura Turia dedica o seu último número à escritora lusa onde publica 150 páginas com textos inéditos coordenados pelo escritor Enrique Andrés Ruiz. Uma publicação onde doze autores espanhóis e portugueses reivindicam o interesse da autora que cultiva uma literatura de profundo sentido ético.

Até Madrid trasladou-se Lídia Jorge a passada quinta – feira para a presentação da revista no Instituto Cervantes. O seu diretor, Raúl Carlos Maícas, lembrou que esta publicação “foi, é e quer continuar a ser uma revista onde entram todos os bons escritores para prazer dos bons leitores”. As suas sinais de identidade são “a liberdade, qualidade e pluralidade”. Da homenageada sublinhou a sua escrita, “nascida do chão, da terra, do povo, da gente que atravessa a vida” e a lembrar as palavras da própria escritora, afirmou que “a literatura é um ato de resistência absoluto”.

Durante o colóquio Lídia Jorge falou da sua obra e da sua forma de escrever e reconheceu que durante os 40 anos que escreve, quando vai começar uma nova história, se faz sempre a mesma pergunta, “por quê a humanidade não se entende?”. Entende a poesia como “uma espécie de canto por aquilo que se perdeu e o futuro é o espelho de algo perdido”. Afirma que a sua nostalgia pede sempre criar algo futuro “e mais forte do que eu. Não posso faze-lo  de forma diferente”. Sobre o atual momento que vivemos explicou que “é uma crise global, simultânea, dramática, que não tem culpados”. Acredita que “algo vai mudar mas o mais importante é o que não vai mudar, o nosso mundo tecnológico, que impõe-se cada vez mais, é maravilhoso mas tem uma parte de degradação, de não respeito à natureza”. A escritora acredita que é necessário criar a ideia de que as duas culturas se devem manter porque “a cultura tecnológica vai trazer um desastre humano sem a cultura clássica”. E invita as pessoas a partilhar, a lutar contra esse triunfalismo e fetichismo tecnológico que não olha o interior das pessoas.

A escritora portuguesa recebeu recentemente o Prémio de Literatura em Línguas Romances que concede a Feria Internacional do Livro (FIL) de Guadalajara (México). Neste número de Turia se produz uma aproximação plural à Lídia Jorge, com um conjunto de trabalhos, criativos e de ensaio, de analise e divulgação. É publicada também uma entrevista com Lídia Jorge realizada por Luis Sáez Delgado, uma seleção da sua poesia nunca traduzida ao espanhol e um esclarecedor ensaio sobre o impacto do coronavírus nas nossas sociedades, também inédito em espanhol, titulado O futuro que está à nossa espera.