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Foi há precisamente seis meses atrás, no já longínquo mês de Março, que deram entrada no hospital de São João, no Porto, os dois primeiros doentes infectados com Covid-19 em Portugal. Até então, esta doença era algo que apenas fazia parte dos jornais e que para muitos de nós (eu incluída) estava a Oriente. Só que tal como o sol, que nasce sempre para esses lados do globo, este vírus foi ganhando terreno e mudando as nossas vidas por completo.

Assistimos a humanidade a recolher-se e a entrar em modo de hibernação, em estado de sítio mesmo não havendo bombas lá fora e com os pássaros a cantarem num tom diferente (ou se calhar eles sempre foram assim e nós é que não os ouvíamos). Se fosse descrever aqui tudo o que este histórico e trágico ano de 2020 nos trouxe, muito provavelmente iria precisar de mais um ano e a verdade é que muita «água falta passar por baixo deste moinho» até o pesadelo acabar. Também não vou falar sobre as lições que aprendemos nos últimos seis meses pois realmente não sei se alguma coisa foi apreendida. Não, quero focar-me no que falta até chegarmos ao dia 31 de Dezembro.

Bem, chegámos a Setembro e como tal as férias estão lá para trás (isto se não viverem perto de uma estância balnear, tal como eu. Se tiverem esta sorte ainda podem aproveitar o calor para dar uns mergulhos) e a escola e o regresso ao trabalho estão mesmo ao virar da esquina.

Esta volta a normalidade, mesmo que esteja muito longe daquilo que era a nossa vida em Fevereiro de 2020, está a fazer com que inúmeros países estejam a ter picos de infecção que fazem em muito lembrar a primeira fase da pandemia.

Em Portugal, onde os números também estão longe de estarem baixos, este mês vai fazer com que toda a nação entre em estado de contingência e entretanto as reuniões do Infarmed, que entretanto mudaram-se para o Porto, voltaram. Estamos prestes a entrar, se não entrámos já, num dos períodos mais difíceis do ano e até o governo já se apercebeu desta situação.

Nesta nova rotina, as máscaras e o álcool gel são o «pão nosso de cada dia». Vinte e quatro horas vívidas quase de fugida dos outros, o que se torna impossível quando temos que estar sentados em salas com cerca de 60 m2.

Estas são algumas das preocupações dos pais e famílias de todo o mundo mas é por esta provação que os alunos terão que passar para não perderem mais um ano. Vamos ser muito sinceros, esta será uma luta difícil e muitos alunos já se perderam desde Março.

Para além das aulas, também temos o trabalho. Para mim o teletrabalho é uma ideia excelente e concordo com a ideia alemã, em continuar com esta medida, mas a verdade é que não podemos continuar para sempre nesta situação pois a grande maioria dos trabalhadores não podem exercer o seu mester com um computador ou um tablet. São aqueles mesmos operários que continuaram a sair às ruas durante o período de confinamento e é neles que podemos continuar a confiar para que o mundo continue a girar mas a verdade é que ainda estamos meio adormecidos com o verão.

Uma vez tive uma colega de faculdade, ela era polaca, que dizia que tudo ficava melhor com o sol e nós não entendíamos esta questão pois os latinos são um povo solar e acredito que ela tem razão. O pior vira em Novembro ou Dezembro, quando o frio estiver instalado em força na Ibéria.

Mas antes de lá chegarmos, temos no início de Outubro a Cimeira Ibérica e muito há para se falar sobre a mesma mas como este é um espaço de opinião, não vou escrever sobre o que vai acontecer mas sim sobre aquilo que gostaria que acontecesse. Mas desta vez que fosse a sério e não um bando de promessas soltas, o que habitualmente nos costumam servir sem qualquer tipo de pudor.

Neste encontro na Guarda (e que Deus nos guarde) os dois governantes, e respectivos ministros, devia discutir questões tão diversificadas como uma forma de resposta conjunta a situações limites (o que tanto pode ser a nível de saúde como em relação aos incêndios, mal que os dois irmãos padecem de igual forma), um plano de diversificação e relançamento (e aqui a «Raia» tem um papel-chave e que deve ser sublinhado na estratégia que foi criada) do turismo e das economias que caminham a largos passos para recessões brutais. Tal como já disse, muito se pode dizer mas se não fizerem nada, não importa.

Se Costa e Sanchez não aproveitarem este momento único para mudar o que deve ser mudado e darem passos decisivos em relação a um futuro melhor, ou pelo menos diferente daquele que conhecíamos há poucos meses atrás, serão esquecidos nas areias do tempo da história e até olhado de lado pelos seus povos (irmãos nas alegrias e nas tristezas) que aguardam por esta Cimeira com expectativa. Aliás, espera-se uma forte participação da sociedade civil.

Eu, como simples representante dos jovens deste país, espero que seja dada uma resposta célere para que possamos deixar esta situação no passado já na entrada de 2021.

Espanha espera, ainda este ano, começar a distribuir a vacina contra a Covid pela sua população. Cá em Portugal ainda apenas falamos na campanha de vacinação mas é a da gripe. É esperar para ver mas de momento estamos entre os sete piores países da Europa no que toca a transmissão deste vírus.

Enquanto esperamos, as tricas do costume continuam. Ainda estamos no início do mês e já tivemos o Avante, o início do julgamento do Rui Pinto, os desentendimentos dos médicos com o António Costa e dos profissionais da cultura com a ministra, o Botellón a «correr solto» em várias cidades ou o público ainda longe de inúmeros eventos. Até ao fim do ano vamos ter várias actividades e acontecimentos que nos vão colocar a prova.

O que vos marcou mais nos últimos 6 meses?

Prometo não demorar tanto tempo para voltar a este espaço para um novo artigo de opinião.