Borrell acredita que neste momento o tratado do Mercosul seria rejeitado e confia em que Portugal o promoverá

A UE e o Mercosul anunciaram em Junho de 2019 um acordo de livre comércio, cujo processo de ratificação está bloqueado

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O Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, reconheceu que o acordo comercial com o Mercosul não seria ratificado neste momento, embora a Comissão Europeia esteja a trabalhar em fórmulas para aproximar as posições e confia que a Presidência semestral de Portugal vai promover este acordo.

Em entrevista à Europa Press e a outros meios de comunicação latino-americanos, o chefe da diplomacia europeia admitiu que Bruxelas “não está convencida” do processo que deve seguir para conseguir a sua ratificação. “A Comissão não pode levar isso ao Conselho para que seja rejeitado. Devemos primeiro testar as vontades”, disse o Alto Representante.

A UE e o Mercosul anunciaram em Junho de 2019 um acordo de livre comércio, cujo processo de ratificação está bloqueado por dúvidas de várias capitais europeias, nomeadamente devido à falta de compromisso ambiental do Brasil. Diante disso, Borrell destacou que o acordo “está feito” e os governos sul-americanos o assumiram. Como tal, pediu para que não jogassem pela janela um tratado que já é negociado há 20 anos.

Para ele, é melhor ter este acordo do que não ter nenhum outro. Entende a complexidade de aprovar um tratado pelos vinte e sete estados membros, incluindo alguns parlamentos regionais. “Há que apresentar um texto que saibamos que pode ser aprovado. Antes que seja negado, vale que se espere um pouco para conseguir alcançar este acordo. Neste momento não dá”, referiu.

Sobre a ratificação, indicou que há “temores fundados” de que alguns países não o aprovariam, igualmente o Parlamento Europeu. “Diante disto, podemos dizer ‘a história acabou e ficamos como estamos’ ou fazemos um esforço para aproximar posições”, explicou, acrescentando que Bruxelas está trabalhando numa declaração anexa ao acordo para reforçar os aspectos ambientais.

Questionado como está esta declaração, o Alto Representante respondeu que “ainda não está em condições de ser submetida à consideração dos países do Mercosul”.

No entanto, Borrell tem estado optimista de que há avanços coincidindo com a Presidência portuguesa do Conselho, o que pode “ter muita influência” na promoção do tratado. “Estamos muito interessados e é bom ter Portugal agora na Presidência do Conselho”, sublinhou.

O responsável pelos negócios estrangeiros da UE reflectiu que os acordos de associação têm agora “mais problemas que ontem” e isto é devido a uma “globalização em recuo” e que “a competição gera perdedores”, em referência à oposição que outros acordos comerciais como o TTIP com os Estados Unidos têm enfrentado.

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