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Sozinhos nas celebrações mas unidos por um mesmo ideal. No Dia da Liberdade, que é celebrado tanto em terras lusitanas como italianas, a pandemia da Covid-19 mudou as celebrações. As grandes cerimónias, como a sessão solene no parlamento (que contou com apenas 88 pessoas presentes) e a passeata na Avenida da Liberdade, foram trocadas por comemorações digitais e por serenatas a janela ou nos hospitais. O lugar podia mudar, o espírito é que não.

“Grândola, Vila Morena”, uma das senhas revolucionárias que deram origem ao movimento que acabou com a repressão em Portugal, ganhou um novo coro de vozes. Portugueses de todas as origens, mas não só, uniram-se para cantar Abril e uma liberdade que agora está condicionada pelas medidas de confinamento impostas pelos governos mundiais. Mas mesmo longe, as varandas foram o local escolhido para celebrar esta ocasião.

Um abraço fraterno em nome da Liberdade

Mas não foi só em Portugal que pelas 15 horas se ouviu a música celebrizada por Zeca Afonso. Pelas redes sociais proliferam publicações em várias línguas a falarem sobre este dia. Se o embaixador do Reino Unido em Portugal, Chris Sainty, decidiu tocar “E Depois do Adeus”, na Galiza (em Pontevedra) também se foi para as janelas cantar “Grândola”. O actor da série “La Casa de Papel”, Pedro Alonso (Berlin), também juntou a sua voz a este coro ibérico.

Já no outro lado do Atlântico, mais precisamente no Rio de Janeiro, Chico Buarque prometeu cantar a janela e contou que se não fosse a Covid-19 estaria neste momento em terras lusitanas para receber o Prémio Camões, a mais alta distinção da literatura em língua portuguesa. Na mensagem que deixou aos portugueses no Facebook, onde não se esqueceu de Jair Bolsonaro e da crise social e política que promete abanar o país da América latina em plena pandemia de saúde mundial, terminou a pedir que não se esqueçam dos “irmãos brasileiros, agora mais do que nunca necessitados de um cheirinho de alecrim”.