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No domingo dia 23, o poeta João Carlos Nunes de Abreu apresentará nas Ilhas Canárias uma antologia da sua obra, no âmbito da iniciativa cultural do Governo autónomo que visa promover autores da Macaronésia.

Durante mais de 20 anos foi secretário e diretor Regional de Turismo na ilha da Madeira, e detentor de vários reconhecimentos públicos, destacando o que lhe foi atribuído pelo presidente da República Dr. Jorge Sampaio como “Grande Oficial da Ordem de Mérito.”

Nos seus anos de trabalho na promoção turística da ilha da Madeira, manteve uma relação intensa com Espanha, tendo frequentado vários anos como representante do Governo Regional na Feira Internacional de Turismo (FITUR) de Madrid. Outro feito foi o impulso dado ao estabelecimento de voos para a ilha portuguesa, pela companhia aérea Iberia.

O TRAPÉZIO teve a oportunidade de entrevistar o muito amado e veterano escritor antes da sua viagem às Ilhas Canárias.

 

Como “explicaria” o seu trabalho poético?

Do ponto de vista literário é uma oportunidade para dar aos possíveis leitores espanhóis, o sentir a vivência de um poeta de uma das ilhas da Macaronésia. A iniciativa do Governo de Canárias, em publicar as 12 antologias de poetas da Macaronésia, testemunha da preocupação de um governo em querer divulgar a riqueza da poesia dos arquipélagos da Macaronésia e, simultaneamente, a afirmação dos seus poetas para um público que os desconhece.

 

– O que pode a poesia trazer ao mundo de hoje, tão saturado de estímulos?

Os valores éticos, sociais, humanos e familiares que mais se afundam no mundo globalizado em que vivemos. A palavra poética leva-nos ao centro; isto é, mete-nos em contacto com a parte mais profunda de nós, leva-nos a refletir e avaliar a importância dos valores fundamentais para a construção de um Mundo Melhor. A poesia como veículo de união dos povos de crenças e raças diferentes, porque como linguagem mágica capaz de conjugar a nossa mente com o nosso inconsciente. De unir a nossa alma com aquela do mundo de que falava Platão.

 

– Um poeta veterano como o senhor, que viveu tanto e tanto pensou na vida. Que “conselho vital” daria saqueado à juventude ibérica?

Eu acredito na força dos jovens ibéricos. Eles devem prepara-se espiritual e culturalmente. No mundo de hoje, onde vivem, com tantas solicitações, a leitura constitui, um elemento imprescindível, não só como desenvolvimento intelectual esclarecedor, mas também interpretativo dos discursos políticos e filosóficos. Devem ter ainda em mente que a beleza do mundo está justamente nos seres humanos, por isso urge respeitá-los e ajudá-los, em serem mais eles próprios. É um dever colaborar na sua dignificação e exaltação permanentes.  Os jovens ibéricos serão os construtores do mundo de amanhã que tanto desejo que seja feito de amor, paz e mais justiça social

 

Qual é a ligação que tem com as Ilhas Canárias?

É um veículo de amor e profunda admiração. As Ilhas Canárias são para mim como a minha própria casa. Tenho ali grandes amigos que são como irmãos. Desde que me conheço sempre tive iniciativas para aproximar a Madeira das Canárias, não só pelos que elas são como desafio do Atlântico que nos une, mas também como necessidade de se construir uma força de história de cultura, de tradições capazes de atrair a atenção do mundo.

 

– Concorda com a proposta do senhor Rui Moreira sobre a criação de um Iberolux enquanto organismo ibérico para uma cooperação reforçada.

Estou inteiramente de acordo com o Presidente da Câmara do Porto. A criação do IBERLUX reforçará as consciências de dois povos com largas tradições e da importância que tem como construtores, desempenhando vários papéis, no contexto europeu. Os espanhóis e os portugueses prestigiam e enriquecem a Europa, com a sua cultura e história, por isso uma união cada vez mais sentida e vivida reforçará os propósitos do IBERLUX.