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O realizador João Botelho, que tem no seu currículo a adaptação de grandes obras literárias, e de onde se destacam «Os Maias» e a «Peregrinação», é o responsável pelo filme «O Ano da Morte de Ricardo Reis», que terá a sua estreia mundial a 1 de Outubro mas teve duas pré apresentações, uma no Teatro São João, no Porto, e outra no CCB, em Lisboa. Neste mesmo local pode ser visitada uma exposição, que decorre ao ar livre, e onde podem ser vistos materiais gráficos sobre este filme e uma agenda que Saramago fez sobre a imprensa de 1936 e que deu mote para esta película, que terá a sua estreia internacional no Festival de Sevilha.

Nestes dois dias de apresentação estiveram presentes os actores, António Costa e alguns membros do governo e Pilar Del Rio, viúva de José Saramago e presidente da fundação com o nome do escritor Prémio Nobel da Literatura, que se demonstrou muito feliz por ver mais uma das obras que Saramago deixou ser adaptada para o grande ecrã.

Saramago, Pessoa e Botelho unidos pelo cinema

Em «O Ano da Morte de Ricardo Reis», Fernando Pessoa encontrou a sua criatura que regressava ao país após um exílio de 16 anos no Brasil.

Num dos anos mais complicados da história, 1936, com a ascensão dos fascismos e nazismos por toda a Europa, estes lúcidos observadores discutem os perigos que assistem e estabelecem a sua relação. Só que duas mulheres, Lídia e Marcenda, as paixões carnais e impossíveis de Ricardo Reis, intrometem-se no meio desta impressionante dupla da literatura portuguesa.

O brasileiro Chico Diaz (Ricardo Reis), Luís Lima Barreto (Fernando Pessoa), Catarina Wallenstein (Lídia) e Victoria Guerra (Marcenda) são os quatro protagonistas desta trama que decorre na Lisboa de 1936 e que foi gravada a preto e branco. Técnica usada pelo realizador para criar um «ambiente verosímil» e mais adequado ao período retratado, onde optimismo e o pessimismo ganham presença graças a luz.

Numa entrevista a agência Lusa, o realizador reforçou a urgência da obra de Saramago e deste filme devido a volta dos populismos que temos assistido, «Eu acho que, nos tempos que correm, estamos a viver umas épocas muito parecidas, muito estranhas, com o regresso dos populismos, nacionalismos». João Botelho, que tem 41 anos de carreira, é o realizador português no activo com a obra mais vasta e já participou em vários festivais de cinema tanto na Europa como na América latina. Para o realizador, este trabalho é um aviso a humanidade para cair nos erros do passado.

Já Vitória Guerra é conhecida do público espanhol devido a série luso galega «Auga Seca», da qual era protagonista.