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Diversas organizações organizações e participantes do Fórum Cívico Ibérico, impulsionado pelo El Trapézio, aproveitaram o encontro hispano-luso, por causa da reabertura de fronteiras, para exporem as suas propostas. Muitos deles denunciaram a falta de vontade política para uma coordenação entre ambos os estados.

Pablo Rivera, director executivo da Eurociudade Chaves-Verín, considera que “Espanha e Portugal perderam uma oportunidade de ouro para passarem a ação. O acto institucional foi um exemplo mais de um simbolismo ibérico carente de eficácia e sem conteúdo. Não aprenderam nada. Esta pandemia não fez nada mais do que agravar e por a descoberto a situação trágica, tanto a nível económico como social, que vivem as Eurocidades ibéricas. Espaços urbanos divididos que compartilham uma vida diária”. Reforça que esta poderia ter “sido a ocasião certa para anunciar o tão desejado novo Tratado de Cooperação Transfronteiriça entre Espanha e Portugal e que dê cobertura às novas formas de convivência transfronteiriça que são representadas pelas Eurociudades. Estas devem ser dotadas, entre outras coisas, de maiores competências na gestão dos serviços transfronteiriços”. Rivera finalmente constata que continuamos de costas voltadas e pergunta “É por isso que eles nos colocaram na fila da Europa?”.

Na conferência de imprensa de António Costa e Pedro Sánchez, o Corredor Ibérico do Sudoeste não foi mencionado, isto apesar das visitas a Elvas e Badajoz, que são o ponto chave deste corredor. António García Salas, porta-voz e coordenador da plataforma do Sudoeste Ibérico em Rede, afirmou que “a reabertura da fronteira luso-espanhola não pode ser um simples símbolo de um retorno à normalidade ou de uma nova normalidade mas sim um profundo desejo de transformar uma normalidade secular intolerável, insuportável e com altos custos sociais e econômicos para os dois países, em geral e para aqueles mais próximos à fronteira em particular”. Esta plataforma divulgou seus três objectivos com os respectivos anos: “A conexão Lisboa-Madrid (objectivo 21), iniciando um serviço de comboio pela Estremadura com as infra-estruturas disponíveis. A conexão descarbonizada (objectivo 25), eletrificando a rede ferroviária entre Lisboa e Madrid. E a conexão AVE entre Lisboa e Madrid (objectivo 28) ”.

O Partido Ibérico Ibérico e o Movimento Ibérico (mPI), em conferência de imprensa em Badajoz, ratificaram o seu apoio as “conexões ferroviárias de alta velocidade, como as que ligariam Madrid a Lisboa ou a conexão entre Mérida e Puertollano na Rodovia A-43, que ligaria Lisboa-Sines a Valência. Isto a fim de comunicar a faixa atlântica com o Mediterrâneo”.

Ambas as organizações ibéricas pediram que fosse estudada a criação de um Banco de Materiais Sanitários na Península para situações de crise. Isso implicaria a criação de uma fábrica estatal de material sanitário pois este é de necessidade ibérica”. E eles desejavam “que a reabertura rapidamente restabelecesse a total normalidade das comunicações e trocas em todas as áreas entre Espanha e Portugal”.

A Plataforma Ibérica solicitou, em comunicado, que “os fundos do Plano de Recuperação Económica da União Europeia possam ser utilizados para melhorar as infraestruturas estratégicas entre Espanha e Portugal, aguardando o desenvolvimento. Especificamente, queremos mencionar as conexões ferroviárias de alta velocidade entre Madrid e Lisboa; Vigo e Porto; Salamanca e Aveiro e Faro-Huelva, que já foram acordadas na Cimeira Ibérica na Figueira da Foz, realizada em 2003″.