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O parlamento português voltou a renovar o estado de emergência por mais 15 dias mas já pensando na sua continuação até Março. “Nós temos que manter o actual nível de confinamento, seguramente para os próximos 15 dias”, alertou António Costa que avisou que a Páscoa e o Carnaval não serão como em anos anteriores. Em relação a este período festivo, de muito agrado dos portugueses, os desfiles oficiais não acontecerão mas algumas localidades irão dar tolerância de ponto nesta data.

Com os números de mortos e infectados a diminuírem (o rt é o mais baixo de sempre), mas com 45% dos casos a acontecerem devido a estirpe britânica e com os dois primeiros casos da variante de Manaus detectados na área de Lisboa, os especialistas presentes na última reunião do Infarmed alertaram para o cuidado a ter num novo desconfinamento que deve ocorrer de forma faseada, por regiões, e apostando numa maior testagem e de forma gratuita. Testar todos os contactos com infectados, não só os de risco, passarão a ser norma e os centros de testagem estão dispostos a aumentar a sua capacidade. Portugal, Espanha, Itália e o Reino Unido são os países europeus que mais testam.

Neste momento, para se realizar um teste PCR em Portugal pode ser feito em laboratórios privados ou com prescrição médica. Das novas regras, a regulamentação do barulho nos prédios devido ao teletrabalho e às aulas virtuais e a volta da venda de livros e material escolar nos supermercados são as principais novidades para os próximos dias. Em relação a volta ao ensino presencial, o mesmo só deverá acontecer após a Páscoa e a EDP decidiu doar 3.000 computadores a escolas e alunos com carências.

A falta de vacinas e estrangulamento económico

O novo responsável da task-force da vacinação já tinha referido e António Costa reforçou a falta de vacinas que leva a que a primeira fase aconteça até Abril. “No nosso caso, em vez dos 4,4 milhões de doses [de vacinas anticovid-19], nós vamos receber neste primeiro trimestre 1,98 milhões de doses, o que significa que a nossa capacidade de vacinação neste primeiro trimestre vai ser cerca de metade daquilo que estava previsto”, admitiu o primeiro-ministro que mesmo assim acredita que 70% da população possa estar vacinada até o mês de Setembro.

Para além da crise sanitária, a economia portuguesa também está a enfrentar problemas. Segundo as previsões de inverno da Comissão Europeia, o PIB português vai cair 2.1%, o que vai fazer com que neste trimestre seja a maior contracção registada em todas as economias europeias. O segundo trimestre será melhor em parte devido ao turismo de verão, que contribui com 8% das riquezas portuguesas.