Desta sexta-feira (15) até domingo, Barcelona volta a ser palco de uma das mais reconhecidas feiras editoriais no contexto ibérico. A capital catalã vai acolher no seu Museu de Arte Contemporânea (MACBA) a 15.ª edição do certame que anualmente tem também lugar em Lisboa e Madrid, no âmbito das respetivas feiras de arte ARCO.
Durante três dias, a feira dedicada ao livro de artista, fotolivro e autoedição celebra mais uma vez o diálogo e a experimentação no setor, consolidando uma projeção internacional com uma identidade enraizada no contexto mediterrânico e ibero-americano. Entre as atividades e eventos estão projetos de comissariado, seminários, fóruns de debate, exposições, performances e colaborações interdisciplinares, que decorrerão em vários espaços do Convent dels Àngels: Capella, Espai Fòrum, Sala Gòtica e Auditori.
Entre as várias editoras e projetos de apoio à edição que marcam presença neste certame estão algumas portuguesas. É o caso da Urucum, uma editora sediada em Lisboa mas que nasceu no Brasil, e que se estreará na edição catalã. “Participámos três vezes em Madrid, mas esta é a primeira vez em Barcelona”, conta Lucia Bertazzo, cogestora do projeto que, nesta feira, irá lançar um “tarô artesanal” em colaboração com a artista brasileira Giovanna Simões. “Esperamos que este tema agrade o público de lá”, salientando uma ligação ibero-americana “natural” à qual os espanhóis, admite, “sempre foram muito recetivos.”
Outro dos projetos nacionais em destaque é a SudSud, um estúdio de design editorial também radicado na capital que se estreia igualmente em Barcelona. “A oportunidade surgiu pelo contacto feito com a ArtsLibris na feira ARCO em Lisboa”, diz João Flecha, corresponsável pela editora, que marcou presença nas duas últimas edições em Madrid. O objetivo da participação é, sem dúvida, a internacionalização do projeto, num mercado que consideram mais vantajoso por vários motivos. “Sendo Espanha um mercado mais próximo, achamos que seria mais controlado e com custos mais acessíveis para nós vindos de Lisboa”, destacando também do país vizinho “uma grande apreciação pela cultura” e “um grande carinho” pela presença lusa. “As pessoas vêm à nossa banca e perguntam-nos como nos estamos a sentir, e procuram traçar paralelos entre as duas sociedades.”
A par disso, João Flecha salienta a amizade que se cria neste contexto. “Nas feiras, geralmente estamos ladeados por bancas de espanhóis, de todas as regiões de Espanha, e sentimo-nos perfeitamente enquadrados, apoiados e entre amigos”, admite, dando conta de vários contactos com “diversos artistas e autores que querem trabalhar” com a editora. “Temos parcerias de edições que estão a ser desenvolvidas no preciso momento com artistas e designers espanhóis”, garante, algo que gostariam de ver também acontecer com artistas catalães depois desta participação.
Para além dos projetos mencionados, Portugal estará também representado pela GHOST, um projeto da fotógrafa Patrícia Almeida e do programador/editor David-Alexandre Guéniot, e pelas edições Hangar, do centro de investigação artística com o mesmo nome localizado em Lisboa. Ambos os projetos foram igualmente contactados pelo EL TRAPEZIO, mas não prestaram as suas declarações a tempo da publicação deste artigo.
A ArtsLibris é uma feira profissional no setor editorial realizada desde 2009, com organização da livraria com o mesmo nome, sedeada em Barcelona, e o apoio de várias entidades públicas e privadas. Nesta edição da feira, haverá também lugar à atribuição do prémio Eloi Gimeno para o melhor fotolivro, uma iniciativa da ArtsLibris com a Fundació Foto Colectania e em colaboração com a Asociación Amigos de Eloi Gimeno.