Joe Biden está a realizar uma histórica visita a Angola, uma das últimas do seu mandato antes da entrada de Trump. A segurança foi aumentada em Luanda, que está em alvoroço. Durante a visita de três dias (72 horas), a primeira de uma chefe de estado norte-americano a este país africano, Biden decidiu consolidar a presença do seu país pensando na competição que têm com a China em várias latitudes. Incluindo o continente africano. Esta visita não nos traz apenas simbolismo mas representa o xadrez geopolítico que se joga no mundo.
Desde Obama que nenhum presidente americano ia até a África subsariana. Em 2023, o comércio entre Estados Unidos e Angola totalizou aproximadamente 1,77 mil milhões de dólares. O país é o quarto maior parceiro dos EUA nesta área do globo.
Depois de XI no Brasil, agora é a vez de Biden em Angola. Para Joe Biden, o futuro do mundo está em África e em Angola. Que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Para além do encontro com o presidente angolano, João Lourenço (apelidado pelos angolanos como JLO), Joe Biden marcou presença no Museu Nacional da Escravatura. O discurso que Biden fez neste local foi dado dentro de uma caixa de vidro.
Este museu conta a história das carreiras triangulares que ligavam a Europa, África (de onde saiam os escravos) e a América. O Museu foi, em tempos, a sede da Capela da Casa Grande, um templo do século XVII onde os escravos eram batizados antes de embarcarem para a América.
O investimento económico (especialmente num novo projeto ferroviário que vai nascer no país com um apoio de 2,8 mil milhões de euros por parte dos Estados unidos) é o principal ponto na agenda do americano. Washington vai contribuir para a renovação do Corredor do Lobito, que liga a Zâmbia, o Congo e Angola. Estamos a falar de 1300 kms de linha férrea aos quais se vão somar mais 800 kms. A empresa portuguesa Mota Engil vai participar na renovação do Corredor do Lobito.
Para este projeto também haverá investimentos europeus e do G7. Na cidade do Lobito, que dá o nome a este corredor, Joe Biden vai inspecionar um terminal portuário que serve como saída para o Oceano Atlântico. Durante a viagem também foram anunciados acordos em áreas como saúde, segurança alimentar ou agronegócio.
Para muitos analistas, esta visita é vista como uma prenda antecipada pelos 50 anos de independência deste país africano, que se assinalam em 2025. Esta visita divide os angolanos, que não olham apenas vantagens na mesma. Já que não vêem as suas condições de vida melhorarem. Já outros defendem que esta viagem «marca viragem da governação de João Lourenço para a América». Marcando uma aproximação a este país depois de quase 50 anos virado para uma visão mais socialista do mundo (algo saído da luta pela independência).