Angola procura presidente para os próximos cinco anos

Angolanos procuram uma mudança de políticas que pode passar pela aposta na continuidade

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A 24 de agosto, Angola vai a eleições para decidir quem será o seu próximo presidente. Nesta votação também serão decididos os 220 membros que vão compor a Assembleia Nacional angolana. Sete partidos políticos e uma coligação estão a correr o país para mobilizarem o povo a votar. As dezoito províncias do país estão engalanadas na sua maioria com as cores do MPLA e da UNITA (o grande partido da oposição). A campanha eleitoral tem decorrido sem problemas.

Os boletins de voto e a sua certificação está entregue a uma empresa espanhola. Catorze milhões de eleitores dentro e fora do território angolano serão chamados às urnas nestas eleições, que apenas será a quinta na história da independência. O MPLA está no poder há quase cinco décadas. No último ato eleitoral, que aconteceu em 2017, o MPLA ganhou com uma ampla maioria, mas este pleito promete ser bem mais renhido entre os dois maiores partidos do país de João Lourenço (o presidente candidato). Muitos pedem mudança e esta pode ter o rosto do carismático líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior.

O líder da UNITA, ao contrário do seu principal opositor, não participou na luta armada em Angola. Político de verbo fácil e carismático nas redes sociais, Costa Júnior foi responsável pela estrutura juvenil do partido em Portugal antes de voltar para dirigir a UNITA. Formado no Porto e em Roma, Adalberto tem no seu programa ações para combater o desemprego (apostando numa maior formação) e um maior reforço da segurança.

Lourenço chegou a cadeira do poder por indicação do anterior chefe de estado e pretende um segundo mandato que faça esquecer os problemas que a contração económica trouxeram a Angola. No seu programa pode-se ler a promessa da instauração de autarquias no país (algo que não existe) e novos projetos de construção como é o caso das barragens e das autoestradas que ligam as cidades aos campos e assim permitem escoar os produtos agrícolas.

Jovens podem ser decisivos no resultado das eleições

Nestas eleições os jovens poderão ter um papel bastante importante e como tal pedem que se vote de forma consciente. Muitos destes jovens vão votar pela primeira vez, tem educação, mas pedem mais oportunidades para não serem obrigados a emigrar. A fome e o desemprego são dois dos principais problemas de Angola e para sobreviverem muitos tem que vender nos sinais ou moer milho (sem terem “conduto” para anexar a refeição).

A CPLP terá uma missão de observação eleitoral no país com 33 elementos. Ainda não se conhece o desfecho destas eleições, mas a Amnistia Internacional apelou aos candidatos que se comprometam publicamente a, caso ganhem, conduzir investigações sobre as prisões arbitrárias e os assassinatos que estão a marcar o tom num país em que a situação humanitária está a se degradar. O reduzido tempo de antena que os partidos políticos da oposição têm nos meios de comunicação social tradicionais está a desagradar os angolanos.

Um dos grandes temas que tem marcado Angola nos últimos tempos foi a morte de José Eduardo dos Santos. O eterno presidente morreu em Barcelona e agora os cinco filhos mais velhos admitem um funeral em Angola, mas só depois destas eleições.

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