MPLA ganha as eleições em Angola, mas sente o sabor da derrota em Luanda

João Lourenço é reconduzido na cadeira de presidente, mas a oposição nunca conseguiu um resultado tão bom

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Com mais de 97,3% dos votos contados, a Comissão Nacional de Eleições de Angola declarou o MPLA como o grande vencedor deste pleito eleitoral. A formação voltou a conseguir maioria absoluta. O MPLA obteve mais de 51,7% e a UNITA 44,5%. Este foi o pior resultado alcançado pelo partido que está no poder desde a independência. O presidente, que acaba de ser reconduzido no cargo por mais de 5 anos, já agradeceu o apoio dado pelo povo angolano, mas este resultado é visto pelos analistas políticos como sendo magro. Para Rui Falcão, porta-voz do MPLA, a subida da UNITA nas tendências de voto é algo absolutamente normal em democracia. O MPLA também prometeu dar uma maior atenção aos jovens, que nestas eleições atribuíram ao partido um “cartão amarelo”.

Adalberto Costa Júnior afirmou que «Angola deve fazer a festa das suas opções. Durante toda a campanha a população pediu uma mudança no atual estado das coisas. Em Portugal a polícia relatou desacatos junto da embaixada pois existiram pessoas que não conseguiram votar e em Luanda alguns dos trabalhadores que estiveram nas mesas de voto saíram a rua pois não foram pagos por este dia. O desemprego, principalmente junto dos jovens, é muito elevado no país e muitos arranjam “biscates” como este.

A maior abstenção numas eleições em Angola

Estas eleições tiveram menos 700 mil eleitores do que o registado no voto de 2017. Os pequenos partidos dizem que esta abstenção não é real. Estavam 14 milhões de pessoas recenseadas para votar e pela primeira vez os angolanos que vivem no estrangeiro foram capazes de exercer este direito. Mesmo tendo conseguido maioria absoluta, o partido de João Lourenço perdeu um milhão de votos face às eleições anteriores, que aconteceram em 2017.

A maioria destes votos foram para a UNITA, que mesmo tendo perdido a nível nacional foram os grandes vencedores na província de Luanda (onde existem 8 milhões de pessoas e uma grande fatia de jovens). A força de Adalberto da Costa Júnior conseguiu um total de 90 deputados (dobrando aqueles que tinham na anterior legislatura) e será a segunda maior força política na Assembleia Nacional de Angola. O MPLA conseguiu eleger 124 deputados. Os dois maiores partidos angolanos afirmam que venceram nestas eleições. Pode ser necessário, especialmente devido ao resultado alcançado na capital, avançar-se para pactos de regime. A UNITA tem reclamado de fraude nestas eleições, encetou uma contagem paralela dos votos, mas ainda não apresentou provas que possam sustentar estas suspeitas.

A missão de observação que a CPLP enviou ao país falou aos jornalistas e reconheceu que o processo eleitoral correu na sua maioria bem e de uma forma ordeira e pacifica. Na Feira do Livro de Lisboa, antes de embarcar para Luanda, Marcelo Rebelo de Sousa pediu a continuação da paz que está a reinar em Angola. Durante o processo eleitoral, o presidente português esteve reunido com membros dos dois maiores partidos que participaram nesta contenda.

Angola prepara-se para um funeral de estado

O presidente português será um dos chefes de estado que vai participar nas cerimónias fúnebres de Eduardo dos Santos. No funeral de estado não vão participar os filhos mais velhos que estão contra a decisão que o tribunal de Barcelona teve de entregar o corpo a viúva do antigo presidente de Angola. Tchizé dos Santos, uma das filhas mais velhas, pondera avançar para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. As cerimónias fúnebres já começaram e vão terminar no domingo, data em que faria 90 anos.

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