Portugal recebe os primeiros refugiados afegãos

Grupo foi retirado do país num dos últimos voos realizados pelo Estado espanhol

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Com o regresso dos quatro militares portugueses, que se juntaram às forças espanholas nos últimos esforços de retirada de cidadãos afegãos que nos últimos 20 anos colaboraram com as diferentes presenças ocidentais presentes no território, vão chegar a território português o primeiro grupo de refugiados que o país vai receber.

Segundo Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, são as primeiras 58 pessoas de um total de 116 que já se sabe que o país vai receber. Deste grupo fazem parte maioritariamente famílias com filhos menores. Em declarações dadas anteriormente, o ministro João Cravinho tinha afirmado que este acolhimento aconteceria com algumas regras, no caso de casamentos poligâmicos (ter mais que uma mulher é um costume árabe) só poderia vir uma das esposas e filhos com idade não superior a 21 anos.

Este numero pode chegar às 3 centenas, já que Portugal se disponibilizou desde a primeira hora para receber tanto as pessoas que tinham trabalhado com as forças portuguesas como com a NATO. Algumas das pessoas sinalizadas não conseguiram chegar ao aeroporto e o governo português já afirmou que vai tentar encontrar outras formas, em conjunto com as forças que ainda continuam no terreno, para retirar em segurança estas pessoas.

Em território português, muitos afegãos que vivem no pais já há vários anos tem feito pedidos desesperados para ajudarem na retirada dos familiares que ficaram no Afeganistão. Seguindo o exemplo de um clube de basquetebol espanhol que ofereceu um contrato a uma jogadora de basquetebol do Afeganistão, uma empresa portuguesa também entrou em contacto com uma engenheira para que esta possa vir para a Europa trabalhar. Desde que os talibas tomaram o poder, várias organizações, públicas e privadas, manifestaram disponibilidade para acolher refugiados vindos do Afeganistão, como é o caso da Câmara Municipal de Lisboa, a Igreja Católica e 840 famílias de acolhimento.

Portugal e Espanha organizam missão conjunta de retirada

A retirada destes tradutores, interpretes e respetivas famílias ocorreu em colaboração com o exercito espanhol e não é a primeira vez que as duas Forças Armadas fazem missões em conjunto no território afegão.

A chegada a Portugal, depois de uma retirada com escalas no Dubai e na base militar de Torrejón, aconteceu no aeroporto de Figo Maduro e contou com a presença do Ministro da Defesa, João Cravinho, que, em nome do governo português, já tinha apresentado a sua homologa espanhola, Margarita Robles, os parabéns pelo grande trabalho que tem estado a realizar e que já permitiu a retirada de milhares de pessoas. Este voo, segundo um comunicado emitido pelo governo espanhol marca o fim da retirada espanhola. Muitos outros países também já terminaram os seus esforços de retirada, numa antecipação da data final de 31 de Agosto devido ao deteriorar da situação nos arredores do aeroporto de Cabul.

Este primeiro grupo de refugiados afegãos em Portugal será colocado nos arredores de Lisboa, num processo semelhante ao usado com os migrantes que chegam nos barcos que atravessam o Mediterrâneo. Com a chegada destas pessoas, um processo que se pode estender até sábado, é que começa o verdadeiro processo de acolhimento onde os diversos organismos iniciam processos de procura de habitação, trabalho, educação e formações de português.

Ensino superior aberto a receção de estudantes afegãos  

Em relação a educação, a Universidade de Évora anunciou 10 postos de trabalho para mulheres afegãs e também se mostrou disponível a receber todos aqueles que queiram continuar os seus estudos superiores em Portugal. As restantes Universidades e Politécnicos também já se demonstraram totalmente disponíveis para receber estes estudantes. A Plataforma Global para os Estudantes Sírios, organização liderada pelo antigo presidente Jorge Sampaio (atualmente internado) está a preparar um reforço do programa de emergência de bolsas de estudos e oportunidades académicas para afegãs.

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