Portugueses e espanhóis juntos para que o Corredor do Sudoeste Ibérico se torne numa realidade

Uma boa ferrovia é fundamental não só para o desenvolvimento dos países como das empresas

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Na sala da Câmara do Comércio e Indústria, perante os retratos de alguns dos seus membros mais emblemáticos (incluindo alguns reis de Portugal), aconteceu um pequeno-almoço de negócios onde se debateu a importância de uma ferrovia ibérica forte. A nível europeu existe um movimento que pretende recuperar as ligações através da ferrovia, já que esta é menos dependente dos combustíveis fósseis.

Quando falamos em comboios, associamos este meio de transporte a deslocações de pessoas e bens, mas pelas linhas férreas podem caminhar ganhos tão diversos como é o caso do conhecimento ou a energia. O maior consumo de dados está na península (isto devido aos inúmeros cabos submarinos que aportam em Portugal e assim ligam a Europa aos restantes continentes). A península ibérica deve ser vista como uma terra de oportunidades.

Os caminhos-de-ferro indicam a direção para os países e empresas se desenvolverem. Atualmente as conexões ferroviárias estão piores mas muito tem sido feito. São necessárias melhores conexões para enfrentarmos os grandes desafios que nos são colocados. Melhores ligações ferroviárias podem ser bastante profícuas para o mercado interno ibérico. Uma das principais bandeiras do atual governo é ligar as 10 maiores cidades portuguesas através de ligações de Alta Velocidade.

O TGV (AVE em Espanha) opera no outro lado da fronteira há três décadas. Aí, cinco empresas estão a realizar este serviço. Também estão a ser discutidas ligações internacionais entre Aveiro-Salamanca ou Faro-Sevilha (passando por Huelva). A B-Rail, através do seu administrador Alberto Castanho Ribeiro, afirmou durante a mesa-redonda que estão a estudar ligações tanto com Santiago de Compostela como com Madrid.

Corredor do Sudoeste Ibérico, uma forma de coser a Raia

O Corredor do Sudoeste Ibérico é um novo eixo internacional que pretende não apenas ligar as cidades de Lisboa a Madrid, mas também as regiões que as rodeiam. Lisboa e Madrid são duas capitais que geograficamente estão perto, mas a falta de boas ligações fazem com que as deslocações sejam muito demoradas. Miguel Seco Fernández, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, lembrou que, atualmente, fazer a viagem entre as duas capitais ibéricas demora mais duas horas do que há 20 anos (são 9 horas e meia e três mudanças de comboio).

Todos os dias, 5 mil pessoas voam entre Lisboa e Madrid. Se existissem ligações de Alta Velocidade entre as duas capitais, a quantidade de pessoas que as usariam poderiam permitir até 5 ligações diárias (o tempo de viagem previsto seria de 7 horas). Sobre as obras que estão a acontecer em ambos os lados da fronteira, as Infraestruturas de Portugal lembraram que «as intervenções com Espanha tem estado a correr bem. No troço Braga-Vigo ainda há questões a discutir».

«Há que aproveitar este momento histórico em que o sul da Europa tem um maior papel», disse Seco Fernández. Para os seus defensores, o Sudoeste Ibérico não é um território estanque e bem trabalhado pode colocar a península num ponto de destaque não apenas a nível continental, mas também mundial. No discurso de boas-vindas aos participantes nesta iniciativa, o vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Nuno Pinto De Magalhães, disse que «as ligações ferroviárias são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país. Precisamos de estar mais ligados ao nosso vizinho pois ele é o nosso principal parceiro».

Ao longo das décadas, Portugal e Espanha tem perdido posições no mundo. Portugal, na Europa, corre o risco de ser ultrapassado pela Roménia. Uma maior aproximação poderia alterar esta situação. O turismo, a logística ou o agroalimentar são áreas que podem beneficiar com uma maior cooperação. António Garcia Salas, do Sudoeste Ibérico en Red, apresentou as potencialidades deste corredor. Defendeu que o que se passa em Espanha é muito importante para Portugal e vice-versa.

Durante a apresentação que realizou apresentou um decreto de 2004, do governo de Durão Barroso, que cristalizava as ligações de Alta Velocidade entre os dois países. «Estamos a discutir coisas que já estão aprovadas», lamentou Garcia Salas. «Esta é a oportunidade que temos para dar o salto que tanto precisamos para os nossos países/regiões», reforçou. Para o representante do Corredor do Sudoeste Ibérico, a linha férrea pode ajudar na candidatura ao Mundial de 2030 e deixou no ar a oportunidade de Lisboa-Madrid organizarem as Olimpíadas de 2036.

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