BioIberoAmerica 2022: Braga acolhe encontro “único” da ciência ibero-americana

O congresso ibero-americano de biotecnologia começou na passada quinta-feira e termina hoje com uma mesa-redonda sobre as fronteiras desta área de estudo

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O Altice Forum, em Braga, tem sido nos últimos dias o ponto de encontro de investigadores, empreendedores, industriais e clínicos que desenvolvem a sua atividade em biotecnologia no espaço ibero-americano. Nesta terceira edição, o programa é feito de debates, workshops e outras ações práticas e teóricas sobre as várias áreas que a biotecnologia atravessa, desde a saúde ao ambiente e da indústria ao setor alimentar.

Entre os parceiros envolvidos no evento – realizado pela primeira vez em solo português – estão a Universidade do Minho, com o seu Centro de Engenharia Biológica, a Federação Ibero-americana de Biotecnologia, bem como a Sociedade Portuguesa de Biotecnologia (SPBT) e o INL, o Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia também sediado em Braga. Desta forma, o encontro junta representantes de vários países que compõem a comunidade ibero-americana: Portugal, Espanha, Brasil, Colômbia, México, Chile e Argentina.

Objetivo: reforçar uma cooperação já “forte”

Precisamente à frente do departamento de pesquisa do INL está Lorenzo Pastrana, um ibérico assumido e convicto da “importância máxima” do encontro. “É o único evento que junta sociedades de biotecnologia de Portugal, Espanha e América Latina. Isto é capital para a ciência”, afirma o também professor de Ciência Alimentar na Universidade de Vigo.

Apesar disso, lembra, são inúmeras as parcerias que já existem ao nível internacional nesta área – sobretudo entre Portugal e Espanha – e muitas delas promovidas pelo INL. “Estamos completamente comprometidos com o desenvolvimento da ciência nos nossos Estados-membros e temos uma forte relação com o nosso ecossistema”. Realidade que, nas suas palavras, é inerente ao projeto ao qual pertence. “Esta é já uma atividade natural para nós enquanto laboratório internacional e ibérico: colaborar além das nossas fronteiras.”

Também José Teixeira, presidente da SPBT e professor na Universidade do Minho, partilha da mesma opinião, destacando desta cooperação ibérica a relação especial entre Portugal e a Galiza. “Temos uma colaboração já muito forte, muito intensa, e pretendemos continuar a reforçá-la com este encontro”, denota.

No entanto, o investigador salienta que o objetivo principal do evento é avançar a ligação científica entre os países da Ibero-América e recorda a sua “história já longa” no âmbito da biotecnologia. “Desde há seis anos, quando se realizou o primeiro BioIberoAmerica em Espanha, e depois há dois anos em Brasília, a mobilidade nesta área entre os países ibero-americanos aumentou”, indica.

Com a pandemia, porém, fala de um “reencontro adiado” que apenas se realizou agora, mas que, ainda assim, tem perspetivas de futuro. “A colaboração ibero-americana nesta área vai muito além do congresso, mas pretendemos continuar a fazê-lo – o próximo deve ser já daqui a dois anos – e a reforçar desde já a mobilidade que temos com os nossos parceiros na América Latina”, assume.

Um exemplo “importante” para o iberismo científico

Destes dias em que tem participado no BioIberoAmerica, Pastrana destaca que “a biotecnologia está de boa saúde científica”. “Podemos gabar-nos de ter estes cientistas tão bons e a fazer ciência de altíssima qualidade”, acrescenta. Já Teixeira recorda as palavras do presidente da Câmara Municipal de Braga no congresso e reconhece o “ecossistema único” entre a Universidade do Minho e o INL para o desenvolvimento da biotecnologia.

Neste sentido, ambos reiteram a importância da colaboração ibérica nesta e noutras áreas científicas, mesmo com algumas dificuldades que possam existir. “Somos vizinhos e, como tal, passamos por bons e maus momentos”, refere o professor da academia minhota, reforçando que “é necessário aproveitar os excelentes momentos e continuar a colaborar”.

Em todo o caso, para o investigador do INL, a aproximação ibérica neste contexto “não é uma questão”. Como galego que é, Pastrana admite que “isto é algo que já faz parte” de si e que, entre cientistas portugueses e espanhóis, “não há verdadeiramente uma raia, como se prova com este evento tão importante”. A fácil mobilidade é, por isso, uma vantagem que destaca nesta relação, já que trabalha em ambos os países. Na ciência e na sua vida, “não há fronteiras”, conclui.

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