Inclusão digital versus exclusão educacional

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Uma das mais graves constatações que podemos tirar a partir da reflexão sobre o cenário pós-pandemia é que os anos por vir podem gerar ainda mais exclusão educacional do que a que já havia antes da tragédia que assolou o planeta. É possível inferir essa consequência na medida em que, tanto nos países pobres quanto nos ricos, ficou bastante claro que a falta de acesso à internet e às mídias digitais é um fator de exclusão absoluta das populações carentes.

Se as nações não tomarem providências para expandir suas redes físicas, disseminar as conexões e universalizar o acesso à internet, poderemos ter lá na frente uma nova escola, provedora de uma formação diferenciada e abrangente do cidadão, convivendo com uma grande exclusão educacional decorrente do abandono e da reprovação dos estudantes que não têm acesso à tecnologia digital. Mesmo nas nações desenvolvidas, as crianças e os jovens mais desfavorecidos não conseguiram, durante a pandemia, nem conseguirão, no futuro a curto e médio prazos, acompanhar as aulas a distância por não terem acesso à web, entre outras razões.

Nos debates sobre a educação do futuro, discute-se a adoção de um modelo híbrido de aprendizagem, com parte em aulas presenciais e parte em aulas on-line. Mas como fazer isso em países em que as populações não têm acesso a computador? Se não for ofertado acesso universal aos alunos à internet, certamente iremos criar desigualdade. Mesmo assim, com o desenvolvimento tecnológico, o computador não deve mais ser tão importante como já foi. Já agora crianças e jovens estão usando mais o celular do que o computador.

Mais importante que o computador, portanto, é a conexão porque a tendência para a educação do futuro é o sistema híbrido, com a combinação de aulas presenciais e aulas remotas. Para que esse modelo se efetive, os países terão de se preparar, o que vai exigir grandes investimentos, trabalhos extensos por todo o território e um certo tempo até que se acabem as obras de infraestrutura necessárias à sua implantação.

Ao se olhar para o futuro e refletir sobre a necessidade de políticas públicas que diminuam ou mitiguem os efeitos da desigualdade e da exclusão educacional, um forte fator precisa ser considerado: a internet 5G.

A tecnologia 5G promete promover um salto qualitativo nas comunicações digitais ao oferecer uma capacidade de conexão infinitamente maior do que a atual, algo como cem vezes mais rápida e com vinte vezes mais capacidade de transmissão de dados. Quando utilizada, ela poderá servir como uma ponte entre a realidade aumentada e as salas de aula da vida real. A aprendizagem será capaz de atingir novos níveis, com instrutores holográficos e cenas que saem dos livros e se tornam realidade.

Na Finlândia, onde o 5G já está mais consolidado, um robô que dá suporte às aulas de matemática e no aprendizado de idiomas está em teste. Ele permite ter conversas naturais, ao mesmo tempo que se pratica dança e jogos. Conectar uma escola com linha 5G irá permitir que o estudante receba aula em imagem em tempo real e que entre de forma imersiva num mundo virtual – e funcione nesse mundo. Isso deve mudar totalmente a capacidade de aprendizagem e o interesse dos estudantes e pode ajudar a potencializar cenários em que a colaboração remota entre os estudantes será tão natural quanto conversar entre as carteiras das salas de aula.

Com resposta em tempo quase real, o 5G na educação deve oferecer novos caminhos de ensino e envolvimento em sala de aula, permitindo que os alunos não apenas aprendam a usar tecnologias avançadas, mas também a desenvolver e criar com elas. Esses caminhos certamente irão transformar a forma de ensinar e aprender.

 

José Henrique Paim Fernandes – Miembro del Consejo Asesor de la OEI

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