Nova instalação em Almaraz vai receber metade dos resíduos nucleares de Espanha

Observatório Ibérico de Energia volta a alerta para os perigos da energia nuclear e de um mau armazenamento dos resíduos

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O Observatório Ibérico de Energia (OIE) denunciou, em comunicado enviado à imprensa, a construção de uma instalação de armazenamento de resíduos temporários que vai receber os despojos das centrais de Almaraz (I e II), de Ascó, Cofrentes e Vandellos II, quatro das sete plantas nucleares existentes no país. A OEI, que aponta para os perigos existentes neste armazenamento de resíduos, exige que o governo português tome uma posição e que o espanhol indique que se antes de atribuir a Endesa o contrato de 220 milhões de euros para construir este novo armazenamento em Almaraz (que fica a apenas 100 quilómetros) alertou o parceiro ibérico. A «falta de uma reacção enérgica» do governo português em relação a energia nuclear é algo que os ambientalistas apontam.

Grupos ambientalistas e a sociedade civil de ambos os lados da fronteira alertam desde há bastante tempo para os perigos da energia nuclear e de um acidente como o que aconteceu em Chernobyl, na Ucrânia. Em Espanha, 40% da energia produzida proveio desta fonte mas o governo pretende fechar até 2035 todas as suas centrais nucleares para até 2050 terem toda a sua energia produzida através de fontes renováveis. A energética italiana Eni entrou no mercado espanhol, depois de ter feito o mesmo em Portugal, com a compra de nove parques eólicos com a capacidade de produzir 1,23 gigawatts.

Parte dos resíduos nucleares produzidos em Espanha são guardados em França, uma das grandes potências europeias, desde 2017 com uma factura que supera os 110 milhões de euros. A construção do armazenamento de resíduos temporários em Almaraz irá reverter esta conta pois já não seria necessário continuar a pagar para guardar o «lixo» produzido nas centrais espanholas.

Portugal e o problema dos aterros ilegais

Em Portugal não existem centrais nucleares mas também existem problemas com resíduos que poluem o ambiente. O país não cumpre as leis europeias sobre resíduos electrónicos e químicos perigosos, conhecidos POP e que foram banidos pelas Nações Unidas há 20 anos. Em Portugal são produzidos milhares de resíduos (8 mil tem estes químicos) mas só parte deles são tratados, já o resto volta a entrar nas nossas vidas através dos microplásticos usados nos brinquedos e nos moluscos que comemos. Uma empresa portuguesa poderá pagar uma multa de 600 mil euros por enviar resíduos plásticos de forma ilegal para a Roménia, para onde várias empresas europeias mandam fardos de lixo para serem co-incinerados nas cimenteiras locais por 17 euros a tonelada.

Os aterros ilegais são um dos grandes problemas, com os cheiros e fumos a deixarem incomodadas as populações das localidades onde estão inseridos. No Parque Natural da Arrábida, que foi criado há 45 anos, o Ribeiro do Cavalo, uma das praias selvagens mais famosas do mundo, está a ser alvo de descargas de lixo ilegal.

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