Foi há 25 anos que Portugal entregou o seu último território fora do continente europeu, Macau. Desta forma acabou o fim do império português sem recorrer a guerras e sem os traumas de outras latitudes. Em plena Lisboa, na Avenida Almirante Gago Coutinho (o mesmo que voou ao lado de Sacadura Cabral num avião hidroplanador em direção ao Brasil), existe uma Casa de Macau que pretende divulgar a cultura deste território em Portugal. Os habituais dragões chineses chegaram a desfilar nas marchas populares de Lisboa. Na Assembleia da República ou na Praça do Império, em Belém, também existem alguns vestígios da ligação entre os dois estados.
A passagem da administração de Portugal para a China aconteceu a 20 de Dezembro de 1999 com o acordo que Macau dali para a frente seria regido com o princípio «Um país, dois sistemas». O outro território, desta vez que pertencia aos britânicos, que passou para Pequim no fim do século passado foi Hong Kong. Será que estamos perante uma reunificação fracassada? Macau foi a última colónia europeia na Ásia.
Esta autonomia estará ativa nos próximos cinquenta anos. Naquele dia, em 1999, o palácio da Praia Grande viu a saída da bandeira de Portugal que ali ondulava desde 1887. A ocupação deveria ser perpétua mas em 1966 Portugal mudou se opinião e começou a pensar na entrega de Macau.
Em Macau, o Ocidente encontra-se com o Oriente. Este território é visto como a Las Vegas do Oriente e o setor do jogo contribuí para 80% das receitas fiscais deste território. Que é visto como estando cada vez mais chinês e, para alguns, livre. Já que existe algum medo de se falar mesmo ainda havendo a presença da língua portuguesa nos mais de comunicação. Muitos lamentam o silêncio de Portugal em relação ao que acontece em Macau.
Nas celebrações desta data marcou presença o presidente chinês, XI Jiping, que também viu a posse do novo governo liderado por Sam Hou Fai . Que pretende atrair mais talentos internacionais, o que pode ser uma nova oportunidade para muitos portugueses descobriram um território por onde andou Camões. Este aniversário marca o fim da primeira metade de um período de autonomia em relação a Pequim. Este aniversário também foi assinalado pelo presidente da república de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou a «parceria estratégica entre Portugal e a China, assente num passado histórico comum, em benefício dos dois povos e das suas relações no século XXI». Em 2019, Marcelo Rebelo de Sousa passou por Macau onde defendeu que a «diferença» de Macau é o seu principal atrativo e aqui a língua portuguesa que é uma das mais faladas do mundo pode ajudar. A Casa de Portugal, em Macau, está otimista em relação ao futuro mas lamenta que o novo chefe do governo de Macau não tenha discursado ou dito algumas palavras em português no seu discurso de tomada de posse já que esta língua é uma das oficiais do território.
Nas ruas de Macau ainda podemos ver uma presença de Portugal, em especial na arquitetura mas também na toponímia (já que as placas estão em chinês e em português) e na gastronomia. Em Macau chegou a fazer-se um concurso para descobrir o melhor pastel de nata que, ao contrário do português tem menos açúcar. Também existem várias iniciativas culturais lusófonas que decorrem durante todo o ano em Macau. O povo de Macau é descrito como sendo muito pacífico, fala uma variante do português mais parecido com o europeu do que com o brasileiro e uma parte da sua seleção de futebol também tem passaporte português e também para aqueles lados existe um dérbi local Benfica vs Sporting.
A passagem de Macau para a China também faz parte das memórias de uma primeira infância da pequena Andreia.