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Segundo informa o jornal La Opinión de Zamora, os habitantes da Raya, que vivem entre Zamora e Trás-os-Montes (Miranda do Douro, Vimioso e Bragança) demonstram a sua preocupação e incerteza pela dificuldade de interpretação das medidas impostas pelos seus respectivos governos nacionais e pela Junta de Castilla y León nesta segunda onda da pandemia de Covid-19 na hora de cruzar de um país para o outro, o que prejudica a economia e o comércio fronteiriço, dado que os pequenos negócios de um lado dependem, em grande medida, dos clientes que chegam do outro.

“As gentes do outro lado da fronteira, Espanha, confundem-se na interpretação das medidas impostas pelo governo da república portuguesa e cada vez temos menos gente nestes territórios fronteiriços, já que as pessoas não entendem como circular do lado português para o espanhol”. Assim defende Artur Nunes, presidente da câmara municipal do conselho de Miranda do Douro e máximo responsável pela comunidade intermunicipal das “Terras de Trás-os-Montes”. Este autarca afirma que o governo português deveria rever a forma de cálculo para a integração dos municípios de baixa intensidade na lista de alto risco da transmissão do Coronavirus.

Artur Nunes é um dos maiores defensores do intercâmbio social, cultural e comercial entre Zamora e Trás-os-Montes e relembra que é necessário “ter cuidado com a linha vermelha, pois o país não é todo o mesmo”, sentenciado que não se pode comparar as regiões com uma baixa densidade demográfica, como é o caso de Trás-os-Montes, com as grandes áreas do Porto e de Lisboa. Existem distintas realidades e como tal não é possível medir tudo com o mesmo calibre, recordando que houve uma diminuição do número de espanhóis que realizavam compras ou visitam a região. Assinalou que ele próprio tem que atravessar o território espanhol para chegar a Bragança “e nunca se sabe o que vai acontecer em relação à fiscalização do cumprimento das medidas impostas pela pandemia”.

Por outro lado, a Agência Portuguesa do Ambiente deu luz verde à aprovação da venda das barragens hidroeléctricas da EDP, localizadas em Miranda do Douro, Bemposta, Picote, Baixo Sabor e Foz -Tua, a Engie. O processo de transição das concessões da EDP para a Engie estará concluído em dois anos. Em alguns casos, essas barragens estão localizadas em águas internacionais compartilhadas com a província de Zamora. A sede ficará localizada na cidade de Miranda do Douro, o que tem causado satisfação ao presidente da Câmara Municipal, Artur Nunes. A ideia é manter os actuais 60 trabalhadores e contratar mais 22 num futuro próximo.

Artur Manuel Rodrigues Nunes, que actualmente ocupa o cargo de presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, chegou ao poder em 2009 e em 2021 deverá deixar o cargo, visto que cumprirá os três mandatos completos de autarca, máximo legal permitido na República Portuguesa.

Enquanto presidente da Câmara de Miranda do Douro, o seu trabalho destaca-se no sentido de estreitar as relações com a província de Zamora tanto ao nível das comunicações (estradas nacionais, auto-estrada e a ligação do IC-5 com Zamora), como também das tradições comerciais (romarias ) e patrimonial (valorização das camadas de honra alistana e mirandesa).

O “espanhol” Júlio Meirinhos será o candidato do PS a cidade lusa em 2021

O “espanhol” Julio Santana Meirinhos, um dos políticos com mais prestígio em Portugal, será o candidato do Partido Socialista a Câmara de Miranda do Douro nas eleições que serão celebradas em Setembro de 2021. Esta decisão foi tomada numa reunião que aconteceu na cidade que faz fronteira com a comarca de Aliste. Luso de sangue (filho de emigrantes) e espanhol de nascimento (veio ao mundo em Sevilha), regressou ainda em criança a Miranda do Douro, de onde saiu para cursar direito na Universidade de Coimbra. Por duas vezes ocupou a presidência da câmara de Miranda, foi deputado na assembleia da república e foi distinguido como Melhor Autarca de Portugal.