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Um novo balde de água fria nas expectativas do comboio de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, isto segundo o relatório apresentado pela plataforma privada e independente “Sudoeste Ibérico en Redes”. Segundo o seu coordenador, António García Salas: “gostaríamos de poder apontar horizontes mais próximos e estamos conscientes de que muitos podem achar estas datas distantes algo desmoralizadoras”.

A espera de uma reacção de ambos os governos, a incerteza quanto aos prazos para a construção da ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid (via Estremadura) aumenta devido à pandemia. No entanto, reduzir o número de voos e assentos, bem como as exigências médio ambientais, pode aumentar a competitividade dos comboios como meio de locomoção.

Esta plataforma pretende levantar o ânimo e continuar uma campanha de pressão junto aos poderes públicos. Como objectivo imediato, García Salas propõe que ambos os governos assumam o compromisso de uma linha de comboio adicional a diesel que ligue, por Badajoz, Lisboa a Madrid até 2021. Este pedido deverá fazer parte da “agenda da Cimeira Ibérica de 2020 na Guarda”.

A duração da viagem ferroviária Madrid-Lisboa, cujo actual serviço é prestado pela Lusitânia Express tem uma duração de 11 horas (comboio nocturno a diesel por Salamanca). Esta duração poderia ser reduzida para 8 horas em 2021 (se o mesmo partisse por Badajoz), em 2022/2023 seria de 6 horas e meia (com um híbrido diesel/eléctrico), em 2024 esta mesma viagem teria uma duração de cinco horas (comboio eléctrico) e em 2028 o mesmo caminho seria feito em apenas quatro horas (num comboio de alta velocidade). Além disso, a linha atual de Aveiro para a Guarda está programada para ser cortada para obras e os trabalhos de reestruturação da estrada alternativa de Castelo Branco para a Guarda, através da Serra da Estrela, estão muito atrasadas.

O relatório indica que “este novo serviço entre Lisboa e Madrid poderia ser realizado em duas fases: primeiro Badajoz-Madrid em meados do ano de 2021 e depois, no último trimestre de 2021, a conexão completa Lisboa-Madrid”. No entanto, se os atrasos decorrentes da crise afectassem esses prazos, outra opção a tomar seria “estender a rota do actual traço Madrid-Badajoz para Lisboa, sem esperar para poder usar as novas infra-estruturas. Isso já pode ser feito”.

Comboio a hidrogénio

A plataforma sugeriu que “seria muito oportuno e importante propor um projeto piloto, ao nível europeu, com um troço entre o Entroncamento e Puertollano, de um comboio que permita a conexão ferroviária entre Lisboa e Madrid através de fontes eléctricas e renováveis imediatamente. Este projecto pioneiro na Península Ibérica, mas já desenvolvido em outros países europeus, pode abrir caminho para a inovação e o desenvolvimento da mobilidade do hidrogénio com o apoio financeiro de diferentes fontes de grande importância para o Corredor do Sudoeste Ibérico”.

O que é o Corredor do Sudoeste Ibérico?

O Corredor do Sudoeste Ibérico é um espaço transnacional europeu, de fronteiras difusas, que aproximadamente coincide com as planícies do Tejo e Guadiana, caminhando do centro da península até ao Atlântico. Esta é a conexão mais directa entre Lisboa e Madrid e os portos e cidades do Corredor Mediterrânico. O seu eixo ferroviário central faz parte do Corredor Atlântico da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T).

Actualmente, devido à crise do coronavírus, o serviço de comboio nocturno da Lusitânia Express entre Lisboa e Madrid foi temporariamente cancelado.