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Com dezenas de locais religiosos, uma das conhecidas colinas da cidade de Lisboa guarda uma história começada ainda durante o «Al-Andalus».

O Mosteiro de São Vicente de Fora foi mandado construir por D. Afonso Henriques após uma promessa feita para a tomada de Lisboa aos mouros. O local escolhido para a edificação foi o local do acampamento dos cruzados germânicos que apoiaram o primeiro rei de Portugal. É no bairro de São Vicente que a capital portuguesa apresenta uma das suas «pérolas» escondias.

A construção que actualmente associamos ao Mosteiro de São Vicente de Fora, um exemplo do maneirismo no país idealizado pelo arquitecto espanhol Juan de Herrera e o engenheiro Filippo Terzi, foi edificada durante a união dinástica Ibérica. Do século XVI, este local histórico, que pode ser visitado, é a sede do Patriarcado de Lisboa e apresenta uma das mais belas vistas para a cidade que guarda e o rio que a banha.

A ordem de Santo Agostinho ocupou durante largas décadas o mosteiro que ficava fora dos muros da cidade (daí o seu nome) teve nas suas ordens um jovem Fernando de Bulhões que aqui se dedicou a oração e a uma vida que consagrou Santo António a um dos padroeiros de Portugal e da cidade de Lisboa. O outro é São Vicente, que dá nome a este mosteiro.

A 1 de Novembro de 1755 a capital lusitana foi atingida por um dos maiores terremotos, seguido de maremoto, alguma vez sentido. Com a cidade em escombros, o Mosteiro de São Vicente de Fora foi um dos poucos locais que se manteve de pé, já que apenas o tecto da sacristia caiu.

Quando foi refeito foi adicionada a pintura «A Virgem com o Menino e os Santos» da autoria de André Gonçalves. Nesta pintura São Francisco de Borja, o protector contra os terremotos, oferece uma coroa a Virgem.

No mosteiro encontra-se a segunda maior colecção de azulejos barrocos do mundo com, pelo menos, 100 mil peças. Trinta e oito destes painéis de azulejos representam as fábulas originais de La Fontaine.

Ao olhar com atenção para o chão do mosteiro, uma pedra destaca-se das restantes pela inscrição que carrega. No subsolo da Capela dos Meninos de Palhavã estão enterradas as vísceras e o coração embalsamado de D. Pedro II, monarca da dinastia de Bragança que se encontra sepultada no Panteão Real.

Saídos da igreja, descendo umas escadas, é possível encontrar o Pátio das Laranjeiras, que nos meses quentes é possível descansar a sombra das árvores, sentir o cheiro dos caramanchões e ouvir o barulho da água da fonte, que é trazida por uma cisterna medieval do século XII e que faz com que recue no tempo.