Da Cimeira Ibero-americana da Andorra à Revolução dos Cravos

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Estamos a terminar uma das semanas mais ibéricas do ano. A Cimeira Ibero-americana, que o El Trapézio abordou detalhadamente, também foi ibérica. Colocou em cima da mesa o caminho andorrano para o iberismo, no sentido de articular um Tratado entre os três Estados ibéricos, estabelecendo a sede do órgão comum em Andorra, visto que tem um perfil neutro para os outros dois países. Testemunhas directas dos discursos privados proferidos pelas autoridades espanholas, portuguesas e andorranas afirmaram que estavam vendo uma confraternização ibérica. No entanto, a rota andorrana é complementar àquela que sempre insistimos ser a forma de aumentar a coordenação binacional luso-espanhola e de apostar decisivamente na transformação da Raia numa região desenvolvida e central da Península.

Graças a esta Cimeira soubemos que, em Andorra, durante anos, na sua TDT gratuita, têm o canal de televisão português RTP, graças à pressão da comunidade lusófona de Andorra, que têm uma Casa de Portugal, mas também devido ao governo de Andorra que possibilitou a presença da língua portuguesa nas televisões andorranas. Portanto, aquela explicação que o embaixador de Espanha em Portugal nos deu, sobre a constrangedora ausência de canais portugueses em Espanha, é apenas parcialmente verdadeira. O facto de não ter havido iniciativa da RTP não significa que o Governo espanhol não a possa tornar possível.

A Cimeira Ibero-americana, apesar das suas fragilidades entre as potências económicas internacionais, tem mostrado uma musculatura não desprezível, com o apoio do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e do chefe da Igreja Católica, o Papa Francisco:

Também em Andorra soubemos que o governo português não quer abrir a fronteira em breve. Tivemos resposta na fronteira de Chaves com Verín, e, neste caso, devemos tirar o chapéu e dar os parabéns aos autarcas, residentes e comerciantes da fronteira pela sua coragem e determinação.

O revolucionário 25 de Abril, como sempre, é festejado e é um símbolo em toda a Península. No ano passado publicamos quatro artigos sobre o tema, de João Pedro Baltazar Lázaro, Andreia Rodrigues, José António González Alcantud e de quem escreve estas linhas.

Nestes dias, foi apresentado um livro promissor sobre Salgueiro Maia, o grande protagonista do início da Revolução dos Cravos, escrito por Moisés Cayetano Rosado, veterano jornalista da extremadura, que é um dos maiores especialistas da Raia e do Brasil em Portugal.

O livro acaba de ser publicado em espanhol, pela Fundação Caja Badajoz, e em português, pelas Edições Colibri. Tem um endosso intelectual irrecorrível. Em declarações exclusivas para o El Trapézio, o autor diz que “e um livro muito elaborado. Tem um respaldo muito satisfatório em Portugal: prefácio do Presidente da República, tradução de um dos Capitães de Abril (capitão do mar e guerra Almada Contreiras), coedição da Associação 25 de Abril (que agrupa 90% dos “Militares de Abril”) e da Associação Salgueiro Maia, bem como das Câmaras Municipais de Santarém (de onde veio S. Maia para a Revolução) e de Castelo de Vide (onde nasceu e está sepultado). O poeta Manuel Alegre deu um poema memorável para colocar na lapela”.

O resumo do livro é o seguinte:

“De 1961 a 1974, Portugal enfrentou o nascimento dos movimentos de independência de Angola, Guiné e Moçambique, com a participação do Capitão Salgueiro Maia (nascido no Castelo de Vide a 1 de Julho de 1944) nos cenários de guerra de Moçambique e da Guiné, com o convicção final de que ele estava “do lado errado da história”. A 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia comandou a coluna que partia de Santarém para Lisboa, para derrubar o Governo, com o papel histórico de prender o ditador Marcelo Caetano, que o cumpriu com temperança, coragem e exemplaridade. O posterior desenvolvimento da Revolução e especialmente a renovação democrática não farão justiça a este corajoso militar, que faleceu a 4 de Abril de 1992, após uma dolorosa doença, desencantado com a evolução do processo e com o tratamento que recebeu”.

Os nossos leitores vão se perguntar quais são as novidades da pesquisa de Cayetano Rosado. O autor responde: “Nesse livro o que eu faço é sistematizar o estudo das causas e consequências da Revolução dos Cravos através de um personagem crucial: Salgueiro Maia, de quem foi e divulgando o seu papel no dia 25 de Abril, no enfrentamento das tropas do governo e da prisão de Marcelo Caetano, mas não conhecemos o suficiente sobre a sua carreira, a consciência sociopolítica e a ação sistematizada”.

Celebremos este 25 de Abril em irmandade Ibérica.

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